O que prefeitos podem fazer


| Tempo de leitura: 3 min
Quando nos deparamos com as crises mundiais, ficamos estupefatos e impotentes. Mas podemos muito. E a prefeitura é a chave para o sucesso de muitas ações. Hoje, apresentam-se como grandes desafios a escassez de água e o aquecimento global. O aquecimento é um problema de toda a humanidade, muitos estudos ainda são necessários e nem sabemos se já assinamos nossa sentença de morte ou se ainda temos tempo para fazer algo. Na dúvida, vamos trabalhar. Quanto à água, temos mais problemas de desperdício do que qualquer outra coisa. O relatório "Geo Brasil Recursos Hídricos" produzido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Governo Federal aponta que é a poluição, e não a escassez, o principal risco do futuro uso da água. E o esgoto doméstico lançado nos rios é o responsável pela poluição das águas e não as indústrias. A World Development Movement elaborou um relatório que foi lançado no Dia Mundial da Água e mostrou que as cidades de Alagoinhas (BA), Guarulhos (SP), Porto Alegre (RS) e Unaí (MG) são exemplos do uso consciente da água. Os prefeitos e vereadores podem fazer leis e conceder incentivos na forma de redução de impostos ou financiamento ou ainda fornecimento de equipamentos, gratuitamente, a preços subsidiados, etc. No caso do consumo, pode-se incentivar o uso de água das chuvas, a construção de cisternas e, inclusive, obrigar por lei a devolução de águas das chuvas ao subsolo reduzindo-se enchentes. Antes de ser jogada no esgoto, parte da água potável ainda pode ser reaproveitada. A água que sai pelo ralo do chuveiro ou da banheira pode ser coletada em um pequeno reservatório que abastecerá os vasos sanitários da edificação. No México, substituíram-se três milhões e meio de válvulas dos vasos sanitários por caixa acoplada de 6 litros de descarga, obtendo-se uma redução de consumo de 5 mil litros de água por segundo. Um bom exemplo de economia. Podemos ainda pensar em fornecimento de lavadoras portáteis a jato, já que ninguém vai usar balde, a não ser que seja punido com multas pesadas. Nessa linha, a substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes de boa qualidade deveria ser mais que incentivado, pois economizar energia elétrica reduz emissões e economiza água. Os resíduos orgânicos de lixo e esgoto são um problema enorme, mas podem ser até fonte de renda para o município. Os resíduos podem ser transformados em biogás e biomassa. E ainda ganhar créditos pela captura de CO2. O problema pode ser uma fonte de renda e empregos, uma oportunidade para uma PPP - parceria público-privada. E a Embrapa tem diversos projetos para o tratamento de esgotos e produção de biogás. Outro problema que pode ser convertido em riqueza é o óleo de cozinha usado. Ele pode ser convertido em biodiesel. A prefeitura de Indaiatuba investiu em uma usina de processamento de biodiesel tornando-se uma experiência interessante no Brasil. E, o mais interessante, parte dos recursos proveio do BNDES. Ainda podemos apontar os ônibus híbridos que reduzem a poluição e ainda consomem menos diesel. Essa é uma experiência nova no Brasil. No Estado de São Paulo tem uma empresa que fabrica ônibus híbridos. Esta tecnologia permite que se utilize um motor diesel muito menor. Por exemplo, um ônibus a diesel convencional de 12 metros requer um motor de 210HP, para o mesmo ônibus com tração híbrida, o motor diesel necessário terá apenas 80HP, sem perder desempenho. Muitas idéias estão aí nos órgãos federais e estaduais esperando para resolver problemas que estão debaixo dos nossos narizes à espera de mentes ousadas, prefeitos e cidadãos que fazem um pouquinho mais que o esperado. MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é pesquisador tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários