Poço é tapado, mas problemas continuam


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Terreno que abrigaria um prédio está abandonado em plena Avenida Major Nicácio. Ferros, água parada, mato alto e lixo estão por toda a parte
Terreno que abrigaria um prédio está abandonado em plena Avenida Major Nicácio. Ferros, água parada, mato alto e lixo estão por toda a parte
Setenta dias após o garoto Gabriel Marcos, 7, e sua mãe Márcia Jerônima Campos, 36, protagonizarem uma cena assustadora e comovente que ganhou o Brasil e o mundo (a mãe salvou o filho que se afogava em um poço), a construção abandonada na Avenida Major Nicácio em Franca continua a esconder muitos perigos. O poço onde a criança caiu foi tapado, a entrada pela avenida, cercada, mas o local continua uma “bomba-relógio” prestes a fazer novas vítimas, e o pior, com acesso livre pelos fundos. Para chegar à área (uma obra inacabada de um prédio) à Rua Antônio Scarabucci, na Vila Santa Cruz, a pessoa precisa apenas pular uma mureta de pouco mais de um metro de altura. A tela que isolava o terreno está cortada e é fácil notar, pelo mato pisoteado e pegadas, a utilização freqüente do espaço. Muito lixo, cacos de vidro, principalmente de garrafas de cerveja e vinho, roupas, sapatos e até mesmo um colchão e um travesseiro. Tudo em meio a mato alto, ferros com as pontas sem proteção e água parada, o ambiente ideal para larvas do mosquito transmissor da dengue. O pedreiro Carimério Maia, 49, mora em frente à área, e sabe como é viver com os problemas. Para ele, a obra deveria ser retomada ou então desmanchada. “Isso é um perigo e não adianta fechar com alambrado, os malandros acham uma maneira de destruir”. Mas não são apenas marginais que têm comparecido ao “piscinão”. No vão em que seriam instalados os elevadores, é possível notar a existência de peixes coloridos, atrativo em potencial para crianças. No piso superior, supostamente para uso como garagem, outros sinais de que muitas pessoas têm passado por ali. Nos caminhos construídos como passagem, o mato está deitado e tábuas facilitam o acesso e evitam que o invasor afunde o pé na lama. A dona de casa Elisângela Consuelo Farche, moradora próxima do terreno, disse que o terreno é freqüentado dia e noite, na maioria das vezes, por usuários de drogas. Brigas e discussões na madrugada também se tornaram rotineiras. “Principalmente nessas casinhas (blocos construídos para abrigar ferramentas da obra e servir como banheiro para pedreiros), ocorrem muitas brigas. É preciso tomar alguma providência”. A situação estava pior. Na tentativa de afugentar os vândalos, os próprios vizinhos construíram uma porta e colocaram algumas madeiras para fechar o acesso ao ‘piscinão’. De nada adiantou. “Ainda não sei como não saiu nenhuma morte”, conclui Carimério Maia, que tem uma vizinhança nada privilegiada: a contrução abandonada que fica entre um terreno baldio e um outro prédio inacabado.

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