Uma semana (quase) santa


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A professora Nahara Cristina de Castro, 23, está há mais de um mês sem acessar o site de relacionamentos Orkut e o MSN Messenger (programa de mensagens instantâneas pela internet). Engana-se quem pensa que seu computador está quebrado. Pelo contrário. Ele continua no mesmo canto do quarto sem apresentar problemas. O que mudou nesses últimos dias foram as ações de Nahara. Católica, ex-catequista e atualmente integrante da Pastoral da Comunicação da Paróquia São Benedito, na Vila Chico Júlio, ela se considera uma jovem de Deus e fez durante a Quaresma (40 dias que antecedem a Páscoa) o que chama de “penitência virtual”. “Estava se tornando um vício, ficava até três horas seguidas todos os dias no MSN. Precisava fazer algum sacrifício em preparação para a Páscoa”. Comportamento como o de Nahara, tem se tornado cada vez mais freqüente em Franca. Em todas as 13 paróquias da cidade há pelo menos um grupo de jovens com em média 50 pessoas, em que a maioria dos participantes faz algum tipo de renúncia para celebrar a Paixão de Cristo (as solenidades acontecem de quinta-feira a sábado e são consideradas as mais importantes dentro do calendário da Igreja Católica). Os estudantes Diego Henrique Campos, 16, Vinícius Souza de Oliveira, 17, Odinei Cesar da Silva, 20, e Adilson Ricardo Ottoboni Souza, 18, também mudaram as atitudes nos últimos dias. Integrantes da banda Olhos Eternos, que toca um pop rock católico, eles classificam a penitência da Quaresma como um período de autoconhecimento e de reflexão. “É o mínimo que podemos fazer em agradecimento a Jesus. Com o sacrifício, buscamos uma mudança, uma vida nova”, disse Adilson, que realiza pela primeira vez penitência de refrigerante. “Não é fácil. É preciso estar em oração. A força vem de Deus”. E por falar em oração, nessa semana é o que eles mais farão. Piscina, churrasco, cervejada, músicas com duplo sentido e viagens estão cortados. Até sábado, todas as noites serão na Igreja, em missas e procissões. Amanhã e na sexta-feira, eles também não comem carne vermelha. “Precisamos ser exemplos e buscar a conversão de outros jovens. Se uma semente não for plantada agora, quem será a Igreja do amanhã?”, justifica Diego. Preconceito, zoeira ou deboches? Sim existem, mas eles dizem não se sentirem incomodados. “Sempre tem alguém para tirar sarro, mas é o nosso estilo de vida. A gente gosta de participar, ninguém daqui frequenta a Igreja ou faz alguma coisa dentro dela obrigado”, revela Vinícius. Juntos há um ano e meio, o grupo tem composições próprias e quer levar a mensagem de Deus aos demais jovens por meio da música. “Quem sabe com o nosso som, no próximo ano teremos mais jovens colocando Deus acima de tudo”. Enquanto isso, centenas de outros jovens não se prendem tanto aos ensinamentos católicos e aproveitarão esta semana para viajar, fazer churrascos e curtir com os amigos.

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