Boa morte


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A civilização atual acostumou-se com o “descartável”. E, como tudo está em transformação, parece que a solução para os problemas seja mesmo o descartável. Até porque o descartável agiliza a solução para problemas de diversa ordem. Porém, para nossa infelicidade, o conceito de descartável estendeu-se à vida humana. Na opinião de filósofos e utilitaristas, para os quais a vida termina no túmulo, também o homem pode ter seu bem mais precioso como descartável. Pela pena de morte ou pela eutanásia, que são a mesma coisa em situação diferenciada. O termo eutanásia deriva do grego - eu - bom, boa e thanatos - morte. Portanto o significado da palavra é “boa morte”. Os que defendem a aplicação da eutanásia nos chamados doentes terminais argumentam que ela, a boa morte, é um ato piedoso em favor dos que estão sofrendo. A alegação é muito boa se se considera a vida apenas do ponto de vista material. E é a esta conclusão que leva o materialismo. Porém, os espiritualistas em geral e os espíritas em particular, que ensinam que a vida é dom de Deus e nunca se extingue, não podem aceitar a eutanásia. Até porque, muitas vezes, a eutanásia é, antes, uma desculpa do que uma solução. Desculpa porque pode representar um alívio para os familiares já cansados com os cuidados que o doente requer. Entretanto, solução não! Quem sabe da importância dos últimos dias para um enfermo? Quem pode ajuizar das inúmeras mudanças interiores que se podem processar no íntimo de quem sofre? Ainda agora, nos Estados Unidos, uma doente em estado vegetativo há muitos anos recobrou a consciência, pode falar com os familiares e tomar ciência da sua situação. É bem verdade que alguns dias após retornou ao estado vegetativo. Mas, e se tivessem aplicado nela a chamada “boa morte”? Não teria usufruído da oportunidade de reencontro com as pessoas queridas. Aliás, há um paradoxo na ciência moderna. Por um lado avança na conquista de novas técnicas, novos medicamentos para ampliar a vida. Noutro, há os que pretendem “aliviar” os que estão sofrendo. Preferimos ficar com aqueles que defendem a vida. Que lutam por ela, que é um patrimônio de Deus. E a melhor maneira de se morrer é viver bem, de acordo com os princípios do Evangelho de Jesus. Não é à toa que Confúcio dizia: “Ao nasceres todos riam, só tu choravas. Vive de tal maneira que, ao morreres, todos chorem, só tua rias”. FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)

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