A oposição ao prefeito Sidnei Rocha (PSDB) na Câmara quer a abertura de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar as duas licitações relativas às obras de alargamento e aprofundamento do Córrego dos Bagres, avaliadas em mais de R$ 4 milhões. Segundo Silas Cuba (PT), autor do requerimento que entrará na pauta de hoje, a administração tucana tem impedido seu acesso ao processo. “A dificuldade que estão me impondo leva a crer que tem alguma coisa errada”, disse Cuba.
Para conseguir levar a CEI para discussão, os oposicionistas precisam das assinaturas de pelo menos cinco vereadores. Segundo Silas, além de seu próprio parecer favorável e o de Gilson Pelizaro (PT), a idéia deverá ser “vendida” a todos os outros vereadores, inclusive aos tucanos Jepy Pereira, Rui Engrácia, Marcelo Valim e a pedetista Graziela Ambrósio.
Silas sabe que não encontrará facilidade para obter as três adesões, já que, atualmente, a oposição se resume somente, na maioria das votações ou pareceres, a ele e Pelizaro. “Não sei o que cada um pensa sobre o assunto ou até mesmo se eles vão assinar comigo”, disse.
NA PREFEITURA
Apesar da insistência do vereador em investigar a licitação, uma apuração dentro da prefeitura já está sendo realizada. Na sexta-feira, 48 horas de qualquer manifestação dos vereadores, o prefeito Sidnei Rocha já havia determinado o cancelamento da licitação mi-lionária e a abertura de uma sindicância interna para apurar qualquer irregularidade que tenha acontecido no processo.
Rocha descobriu que o engenheiro da Secretaria de Planejamento, Marco Antônio Franceshi, é marido de Taísa Cintra Franceshi, proprietária da Betontest Comércio, Consultoria e Engenharia Ltda, empresa que elaborou o projeto técnico da obra após vencer outra licitação, esta de R$ 40 mil.
O prefeito anunciou ainda que as obras, que teriam a função de combater enchentes na região do Galo Branco, deverão ser realizadas somente em 2008. “Sei que serei criticado por adiar as obras, mas não poderia correr o risco de autorizar uma obra com dúvidas em relação à sua lisura”, disse na ocasião.
Ontem, questionado pelo Comércio sobre a intenção da oposição em pedir uma CEI, Sidnei Rocha preferiu não comentar o assunto. “Vou esperar a decisão da egrégia Câmara”.
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