Sapateira fica quase 4 dias presa por engano acusada de assassinato


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Acusada injustamente de homicídio, a sapateira Isabel Cristina foi presa na frente de suas duas filhas e ficou na cadeia quatro dias
Acusada injustamente de homicídio, a sapateira Isabel Cristina foi presa na frente de suas duas filhas e ficou na cadeia quatro dias
A sapateira Isabel Cristina Soares da Silva, 35, mora em Franca há 14 anos e nunca esteve em São Paulo. Por causa de um erro grosseiro, foi presa e passou 80 horas na cadeia acusada de ter matado um homem na capital. Três dias depois, a Justiça percebeu a mancada e determinou sua soltura. O verdadeiro assassino é o irmão da vítima e nunca foi detido. Enquanto as autoridades não encontram uma explicação para o equívoco, os advogados de defesa da mulher já preparam uma ação indenizatória por perdas e danos contra o Estado. Isabel Cristina foi presa pelos agentes do 3º DP durante a megaoperação nacional realizada pela Polícia Civil para cumprir mandados no dia 23 de março. Segundo os policiais, havia um mandado de prisão contra ela (no sistema online da Polícia Civil) expedido pela 2ª Vara do Fórum de Jabaquara. Apesar de se dizer inocente, a mulher foi detida e encaminhada para a cadeia pública de Batatais. “Lá, eu fui humilhada pelos policiais e pelas presas. Colocaram aquela placa no meu pescoço e me fotografaram. Me trataram como uma assassina. Foi um desespero enorme. Nunca sofri tanto”. Deu entrada no presídio às 8h30 de sexta-feira e só saiu às 21h30 da segunda-feira seguinte. O advogado Gilberto Ribeiro conseguiu provar sua inocência e o juiz Rogério de Toledo Pierri, da 2ª Vara do Júri do Foro Regional I, de Santana, expediu o alvará mandando o diretor da cadeia colocá-la em liberdade. O crime atribuído erroneamente a Isabel Cristina aconteceu no dia 17 de julho de 1991 e teve como vítima Nilson Sant’ana. O autor do assassinato foi o irmão dele, Dorival Sant’ana, que tem contra si um mandado expedido pelo mesmo Fórum de Jabaquara. De acordo com a denúncia, os dois irmãos teriam brigado por causa da venda da casa em que moravam. Na tarde de ontem, a Rede Infoseg, que reúne informações de Segurança Pública, Justiça e de Fiscalização em todo o País, ainda mantinha em seu banco de dados a informação de que Isabel Cristina seria autora de um assassinato. “Até agora, ninguém conseguiu provar onde a minha cliente entra nesse caso. Ela foi presa de maneira arbitrária por um crime que não cometeu. Não havia mandado de prisão. Esse fato é lamentável e estamos tomando todas as medidas possíveis para apuração e responsabilidade de quem quer que seja”, comentou Gilberto Ribeiro. O advogado acredita que algum servidor possa ter digitado errado os números do RG do criminoso ou que alguém possa usar de má fé os documentos de sua cliente. Também pesa contra Isabel Cristina uma acusação de lesão corporal dolosa, emitida pela 25ª Vara Criminal de Pinheiros em setembro de 1984. Na época, ela tinha apenas 12 anos de idade. No alvará de soltura, o Fórum de Santana informa que a mulher teria dois RGs (o que é negado por ela), um dos quais, como o número 31.033.399-4. A identidade do assassino tem um número um pouco parecido: 03.033.399. Até o momento, nem a polícia, nem a Justiça assumiram a culpa pela prisão equivocada de Isabel Cristina. Gilberto Ribeiro trabalhará para restabelecer a primariedade de Isabel, enquanto Adauto Casanova e Reginaldo Carvalho cuidarão da responsabilidade civil do Estado.

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