A arquiteta Anita Licursi Faleiros, 48, realizou o sonho de ser mãe aos 35 anos. Antes de se casarem, ela e o engenheiro Paulo Sérgio, 47, namoraram sete anos, pois preferiram alcançar estabilidade financeira e profissional primeiro. Arthur, 11, nasceu quando tinham um ano de casados. "Casei tarde, mas apesar de engravidar mais velha, a gravidez e parto foram tranqüilos." Anita não quer ter mais filhos, decisão diferente de sua avó, que teve nove, e sua mãe, que gerou cinco. "A vida hoje é mais difícil. Trabalhamos e nem sempre temos quem cuide das crianças.
Isso é algo de família. Para você ter idéia, das quatro irmãs casadas lá de casa, apenas uma teve dois filhos. As outras só únicos." A história de Anita ilustra a tendência entre as mulheres de adiarem a maternidade e terem menos filhos.
Nas últimas décadas, elas ganharam outras prioridades. Se antes eram educadas para cuidar da casa e criar os filhos, hoje estão envolvidas na carreira, em busca de independência e segurança financeira. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) confirmam a opção delas no País: entre 1991 e 2000, o número de mães com mais de 40 anos cresceu 40%. Em Franca, entre janeiro de 2006 e março de 2007, 300 pacientes que deram à luz tinham entre 35 e 49 anos, de acordo com levantamento da Secretaria da Saúde.
Uma delas foi Lúcia Helena Maximiano, 37, pespontadeira. Viúva, quis atender ao desejo do segundo companheiro de ser pai e engravidou pela segunda vez 14 anos depois do nascimento do primeiro filho. A caçula Lauany chegou no dia 13 de março, na Santa Casa.
Mãe e filha estão bem, mas a gravidez da menina foi diferente. "Quase morri. Vomitei praticamente os nove meses e cheguei a tomar injeção para controlar as náuseas durante meses seguidos". Lúcia Helena precisou parar de pespontar enquanto estava grávida. "Não conseguia trabalhar. Acredito que foi a idade que provocou essas mudanças. A gravidez do Weslei foi bem menos turbulenta."
Alzenir dos Santos, 36, foi outra francana que sentiu as dificuldades de gerar um bebê após os 35 anos de idade. A professora foi mãe pela primeira vez com 21 anos. Depois do segundo filho, que hoje tem 11 anos, engravidou e deu à luz Miguel Luiz, em 5 de maio de 2006, quando estava com 35 anos. "Emocionalmente, a chegada do bebê foi muito bem vinda, mas fisicamente me senti muito mais cansada. Também perdi peso, o que não acontecia nas minhas gestações."
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Especialistas atestam os riscos da gestação fora da faixa etária considerada ideal, ou seja, entre os 18 e 35 anos. Segundo o ginecologista e obstetra Raul Hellu Júnior, médico desde 1984, ocorre um leve incremento dos riscos aos quais as grávidas estão sujeitas. Os principais são hipertensão (pré-eclampsia e eclampsia), desenvolvimento de diabetes gestacional, maior incidência de partos prematuros e do déficit no crescimento do bebê. "Por questões circulatórias, a troca de nutrientes e oxigênio entre placenta e útero no organismo das mulheres mais velhas é menor, o que costuma provocar essas deficiências", disse Hellu.
Cleomar Borges, ginecologista e obstetra há 49 anos, disse que a possibilidade do filho nascer com síndrome de Down e outras anomalias dobra após os 35 anos. "Dos 25 aos 35 anos, quando consideramos que a mulher está na sua plenitude, os riscos de haver má-formação do feto são de 0,05% e fora desse intervalo, muda para 1%. É um número desprezível, mas que oscila conforme a idade da mãe." Após os 40, a chance de abortamento também cresce.
SUPORTE
O médico Raul Hellu tranqüilizou as mulheres. "Realmente, tenho percebido no consultório o crescimento de mães mais velhas, mas há uma gama de exames e aparelhos de alta tecnologia para minimizar os problemas da idade e dar mais segurança à paciente".
Independente da idade, as consultas (no mínimo seis) e exames preventivos são essenciais para assegurar a saúde da mãe e do bebê. "Quanto antes começarem os pré-natais, melhor. O conselho para as mulheres é: a menstruação atrasou, procure o médico imediatamente".
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