Atrasos de vereadores chegam a duas horas


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O único compromisso regulamentado por lei que os vereadores de Franca têm a cumprir é comparecer às sessões da Câmara Municipal, realizadas uma vez por semana, com início às 14 horas. Não tem sido assim. Durante todo o mês de março, o Comércio acompanhou, com base no relógio instalado no plenário, o horário de chegada de cada um dos quinze membros do Legislativo municipal. O resultado: somados, os atrasos, ultrapassaram 24 horas. Na média, cada vereador atrasa 24 minutos por sessão. Pelo menos quando o assunto é cumprir horário, oposição e situação se encontram no mesmo barco. Dos quinze vereadores, apenas o presidente da Câmara, Joaquim Pereira Ribeiro (PSB), chega na hora marcada para o início dos debates legislativos. Outros sete atrasam menos de 15 minutos (tempo tolerado pela legislação) - Gilson Pelizaro (PT), Luiz Carlos Fernandes (PDT), Mauricio Chinaglia (PSB), Zezinho Cabeleireiro (PTB), Silas Cuba (PT) e Rui Engrácia (PSDB). Já entre os outros seis “atrasildos”, o campeão é Valter Gomes (PSB). Valter conseguiu atingir a marca de cinco horas e 48 minutos de atraso em apenas quatro sessões (média de uma hora e 27 minutos por dia), número superior até ao tempo de duração de seis das oito sessões ordinárias realizadas pela Câmara neste ano. O Comércio tentou insistentemente ouvir Valter durante três dias (veja matéria ao lado), com mais de 25 telefonemas para cinco números diferentes, mas ele não foi encontrado nem na Câmara, nem em sua gráfica, nem em três telefones móveis. Também não retornou aos recados deixados em secretárias eletrônicas e na sua empresa. A segunda colocada do ranking dos mais atrasados é Graciela Ambrósio (PDT), com três horas e 16 minutos de impontualidade (média de 49 minutos). Questionada, a pedetista minimiza a importância do cumprimento do horário. “(longa pausa) Eu acho que... (pausa) Não sei se é importante. Em qualquer função você tem um atraso por um motivo ou outro. É claro que seria importante todos chegarem, mas acho que não é isso que atrapalha”, disse. A vereadora acredita que o importante é estar presente na hora das discussões e das votações e afirma que, ao contrário de outros colegas, quando entra no plenário não o abandona mais. “Quando há discussão, votação, eu sempre estou em plenário. Nestes momentos, a atenção é importante. Não adianta chegar e não estar prestando atenção. Chega gente, larga a bolsa ali e sai”, disse, sem citar nomes. Os parlamentares recebem R$ 4.262,49 por mês e, ao contrário do que acontece na iniciativa privada, não têm seus atrasos descontados do salário.

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