Fundadora do Magazine pede mais negros


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Luiza Trajano Donato, a fundadora do Magazine Luiza, roubou a cena no maior encontro de funcionários de sua história, reunindo mais de seis mil colaboradores de diversos Estados, em São Paulo, no domingo passado. Com presença marcante sob vários aspectos, discursou, pediu maior participação de negros em suas lojas e deu sinais de que a responsabilidade social deve obrigatoriamente acompanhar e alicerçar o crescimento da rede. A preocupação de dona Luiza Trajano pode não ser um fato isolado, mas está longe de ser um consenso entre empresários. Sui generis talvez tenha sido a forma encontrada por ela para cobrar isso dos diretores do Magazine Luiza, já que o pedido foi feito em forma de um puxão de orelha na diretora de Recursos Humanos, Telma Geron, na frente de todos os participantes do “encontrão”. “Eu quero ver mais moças negras atendendo em nossas lojas. Não pode ter essa diferença de cor, não”, disse ela. “Não sei por que temos tão poucas”, questionou, sem mencionar a porcentagem. Dados do Instituto Ethos, de São Paulo, instituição que trabalha com empresas auxiliando-as na preparação de projetos sociais e de responsabilidade social, mostram que a participação de negros no mercado enfrenta barreiras que vão muito além das da concorrência por uma vaga. Quanto mais altos os postos em uma empresa ou serviço público, menor é a participação negra. Em posto de igualdade, a realidade também é desigual, já que pardos e negros que ocupam as mesmas funções de brancos nas empresas, ganham, em média, 40% menos que seus colegas de profissão. Em São Paulo, o Sindicato dos Comerciários chegou a lançar uma campanha para permitir maior inclusão de negros no mercado de trabalho local. FORÇA E SIMPLICIDADE Aos 80 anos, dona Luiza Trajano Donato esbanjou vitalidade no encontro de funcionários do Magazine Luiza, dirigindo-se aos empregados com a mesma energia e simplicidade que foram e ainda são suas características no trabalho. Se é que existiam, os poucos protocolos do encontro foram quebrados por dona Luiza, que recusou a ajuda da sobrinha para segurar o microfone e deu recomendações matrimoniais aos empregados. Além do primeiro pedido, dona Luiza ainda mandou outro recado, desta vez para os vendedores e gerentes que estavam reunidos à sua frente. “Não é possível aceitar que uma mulher que chegue na loja de salto alto seja melhor atendida ou atendida na frente de outra que usa chinelos de dedo. Por favor, vamos atender a todos os clientes com a mesma vontade, seja branco, negro, pobre ou rico”.

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