<p>Na última segunda-feira, jornalistas dos principais veículos de São Paulo ficaram curiosos em saber como o Magazine Luiza pretende sustentar, e manter, o crescimento dos últimos anos, quando a empresa dobrou de tamanho entre 2004 e 2006. Na entrevista coletiva concedida no escritório da empresa na capital paulista, as atenções estavam voltadas para a superintendente Luiza Helena Trajano e para o diretor de Marketing e Vendas, Frederico Trajano, seu filho. Desembaraçado, mas aparentando certo desconforto com o assédio da imprensa, Fred, como é conhecido, falou dos números da empresa, dos planos de dobrar de tamanho em dois anos, apresentou detalhes da nova campanha publicitária, a ser estrelada por Fausto Silva, da Globo, do lançamento de produtos financeiros e da abertura de novas lojas, sobretudo em Belo Horizonte, onde serão inauguradas 18 unidades. Ao Comércio, deu uma entrevista exclusiva em que falou de sucessão na empresa, da possibilidade de a administração central deixar Franca e da política do Magazine Luiza para os funcionários, entre outros assuntos. Solícito, explicou sua relutância em falar à imprensa local: “Não gosto muito de dar entrevistas para não parecer promoção pessoal”, disse. A seguir, os principais trechos da entrevista. </p>
<p><strong>Comércio da Franca - O Magazine Luiza realizou um evento de grandes proporções em uma cidade à qual não se chega a não ser pelo comércio on-line. Existe algum plano da empresa para entrar em São Paulo?<br />Frederico Trajano</strong> - Eu diria que hoje esse questionamento de por que não estamos atuando em São Paulo é mais representativo para os formadores de opinião, jornalistas, que, de fato, para o Magazine. O Wal-Mart nunca teve uma loja em Nova York e isso não o impediu de ser o maior varejista do mundo, sempre crescendo em cidades pequenas e médias. Então, por enquanto, São Paulo não é um fato crucial como muitos colocam. </p>
<p><strong>Comércio - E Belo Horizonte?<br />Trajano</strong> - Belo Horizonte nos interessou mais, porque, apesar de ser uma capital, ainda conserva um ar interiorano. É uma grande roça, como eles mesmos dizem, com despesas gerais mais baixas. Para nós, faz mais sentido abrir lá que em São Paulo. </p>
<p><strong>Comércio - Voltando à capital paulista, qual a estrutura inicial imaginada pela empresa para poder se lançar na concorrência paulistana?<br />Trajano</strong> - Qualquer levantamento inicial aponta que para sermos minimamente competitivos em São Paulo precisaríamos começar com 60 lojas, ao custo de R$ 600 mil a R$ 700 mil cada uma. Menos que isso não adiantaria nada. O problema é que não está fácil encontrar tantos pontos disponíveis. </p>
<p><strong>Comércio - O mercado aguarda a notícia da abertura das ações do ML na bolsa. Quando isso acontecerá?<br />Trajano</strong> - Pode ser em dois ou três anos. Não temos uma data específica, porque depende das condições de mercado e da situação da empresa. Hoje, o mercado está favorável, mas achamos que não é o momento para a empresa, porque podemos crescer antes da abertura de capital. Convém lembrar que o lançamento de ações no mercado é a forma mais cara de financiar uma expansão. Então, se podemos crescer com recursos próprios, melhor será. </p>
<p><strong>Comércio - A uma taxa de quase 40% de crescimento ao ano, o ML dobrou de tamanho entre 2004 e 2006. O senhor mesmo disse que a rede precisa continuar crescendo para continuar competitiva e brigar pela liderança no setor varejista. É possível prever que a performance dos últimos anos se repita? <br />Trajano</strong> - Precisamos crescer para fazer frente à concorrência. Nossas projeções para 2007, quando abriremos 60 novas lojas, com dois mil novos empregos, mostram isso. Como no varejo tamanho é, sim, documento, temos que manter o crescimento no ritmo de expansão que a empresa vem experimentando. </p>
<p><strong>Comércio - Sobre o que essa previsão de crescimento se sustenta? O Magazine Luiza está capitalizado para isso?<br />Trajano</strong> - Estamos capitalizados, sim. Há o crescimento financeiro, que virá com as novas lojas, e também temos o resultado da última Liquidação Fantástica, quando vendemos R$ 50 milhões em um dia. Além disso, estamos estreando uma campanha nacional de mídia. O aporte financeiro do Capital Group também foi importante e temos canais convencionais de crédito, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). </p>
<p><strong>Comércio - O ML prepara um pacote de medidas que permitirá ao funcionário adquirir ações ordinárias da empresa. Como isso será implantado?<br />Trajano</strong> - Não temos ainda um instrumento efetivo de participação, mas, provavelmente, será por meio de opções de ações. O funcionário poderá comprar por um preço e vender como e quando quiser. É um instrumento muito utilizado em alguns países para remunerar executivos de grandes empresas. </p>
<p><strong>Comércio - Qualquer cartilha do capitalismo moderno prega que, quanto mais satisfeito o empregado, mais dividendos para a empresa ele vai gerar. Nesse sentido, o que há por trás da política de benefícios oferecida pelo Magazine Luiza aos seus funcionários?<br />Trajano</strong> - Se eu falar que a razão dos benefícios é para que os clientes sejam melhor atendidos, acho que seria uma resposta que não explica totalmente a postura da empresa. Nós queremos que as pessoas que trabalham conosco estejam felizes. A gente tem como características pessoais os valores da família, positivos, que visam o bem-estar. A remuneração reflete nossas crenças e no que acreditamos. São crenças de que não vale apenas o ganha-ganha; as pessoas precisam ser felizes onde trabalham. </p>
<p><strong>Comércio - O ML vem oferecendo novos produtos, muito diferentes daqueles que uma loja de varejo tradicionalmente oferece, como cartões de crédito e seguros. A empresa não corre o risco de perder sua identidade com isso?<br />Trajano</strong> - Em absoluto. Temos uma preocupação grande com isso. Quando nós falamos que vamos lançar o cartão de crédito, por exemplo, ele vem depois de dois anos de testes. Nossa preocupação é apresentar produtos que complementem nossa linha, e não que a descaracterize ou a canibalize. O fato de estarmos obtendo sucesso com produtos financeiros não significa que estamos abandonando o setor varejista, mas que estamos explorando um novo mercado muito bem. <br /></p>
<p><strong>Comércio - Você está sendo preparado para assumir o lugar que hoje é de sua mãe na empresa?<br />Trajano</strong> - Olha...não (pausa). Não existe nenhum plano formal dentro da empresa para que qualquer um dos sócios suceda a minha mãe na superintendência da empresa. Como sou diretor de Marketing e Vendas, acabo aparecendo mais, mas outras pessoas, meus primos, que formam a terceira geração do Magazine Luiza, estão se preparando para crescer e atuando muito bem em suas áreas. A empresa não tem nenhum plano nesse sentido. </p>
<p><strong>Comércio - Mantidas as taxas de crescimento da rede, é possível prever que a administração central do Magazine Luiza tenha que deixar Franca?<br />Trajano</strong> - É possível, mas não é provável a curto prazo. Várias coisas devem ser avaliadas para isso, mas não deixa de ser verdade que poderemos ter dificuldade em contratar executivos, no futuro, que venham morar aqui. </p>
<p><strong>Comércio - Como é trabalhar subordinado à Luiza Helena, sua própria mãe?<br />Trajano</strong> - É uma relação extremamente profissional, mas muito mais intensa e aberta do que seria se ela não fosse minha mãe. É um aprendizado todos os dias, tanto para mim quanto para ela. Mas dentro da empresa, não há muita diferença na relação com minha mãe e com os outros diretores e funcionários. </p>
<p><strong>Comércio - Qual a sua rotina fora do ML?<br />Trajano</strong> - Minha esposa mora em São Paulo, o que faz com que eu viaje todos os finais de semana. Mas quando estou em Franca, sou um francano típico. Gosto de ir assistir o basquete, sentar em algum restaurante com os amigos quando dá tempo, correr no Poliesportivo. Coisas normais. Mas gostaria de ter mais tempo para o lazer, que anda curto ultimamente.</p>
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