Salve o músico popular


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Ocorre um fenômeno importante e pouco percebido no País, muito similar aos movimentos dos anos 1920, que antecederam a Revolução Nacionalista de 1930. Nas primeiras décadas do século, a elite intelectual, política e empresarial entregou-se ao internacionalismo ligeiro herdado do século XIX. Nas boas casas, só se falava francês. As manifestações dos intelectuais, em geral, eram prenhes de preconceito contra o País, repisavam a tese da impossibilidade do Brasil aspirar a uma cultura autônoma. Estavam em voga inclusive as teorias raciais, que seriam derrubadas pelo grande Manuel Bomfim, o mais visionário dos brasileiros do seu tempo. Paralelamente, dois movimentos relevantes levaram à redescoberta do Brasil. O primeiro, de grandes intelectuais que passaram a percorrer os rincões do País e entrar em contato com uma cultura riquíssima, que não chegava às capitais. Especialmente Villa-Lobos e Mário de Andrade abrem as janelas para a recuperação da auto-estima nacional através dos valores desse país do interior. A segunda grande linha foi da música urbana, especialmente a carioca, que começa a ser modelada para estourar, a partir dos anos 30, como a mais importante manifestação cultural popular do País. Essa "redescoberta" do Brasil antecede e impulsiona os grandes movimentos de mudança que se consolidam a partir dos anos 30. De certo modo esse ambiente está sendo repetido. Numa ponta tem-se o mesmo internacionalismo rastaqüera, de jovens PhDs cujo sonho é se tornar cidadãos de segunda classe em países de primeira, e que nos últimos anos passaram a dominar a política monetária e cambial. É um movimento fortemente estimulado pela mídia, especialmente pelo que se poderia chamar de um certo espírito de Ipanema que ainda persiste - e que, desde os tempos áureos da bossa-nova tinha forte componente de preconceito contra esse Brasil do interior. À margem dos grandes meios de comunicação, no entanto, está sendo moldada uma geração musical riquíssima. Hoje em dia existem grupos de música instrumental e cantada produzindo uma obra extraordinária nos quatro cantos do País. Em São Paulo e no Rio é possível constatar que está sendo formada a mais rica e variada geração de música instrumental da História. Gradativamente, se percebem as novas levas de universitários voltando-se para esses valores, freqüentando esses centros de resistência cultural, que se tornam cada vez mais disseminados. Desde o Plano Real esse Brasil acabou sendo submetido à ditadura de uma financeirização nefasta, em que produção, trabalho, inovação foram sufocados por um modelo econômico fundado em capitais especulativos e taxas de juros massacrantes. O que sustenta esse modelo é o mito da internacionalização, que, no campo financeiro, acaba assumindo a forma de clichês, tipo "fazer a lição de casa", "reduzir benefícios da Previdência" etc. Dois presidentes sucessivos se renderam a essa armadilha. No fundo, o País começará a sair desse córner pela recuperação da auto-estima, dos valores nacionais. Como nos anos 20, na linha de frente dessa reação estarão os músicos e artistas populares. PIB POTENCIAL A maior surpresa com a reavaliação do PIB foi dos cabeças-de-planilha do BC. Durante anos trabalharam com a idéia do PIB potencial de 3% - isto é, o máximo que a economia poderia suportar de crescimento sem ter inflação. Agora, com a reavaliação, se descobre que em alguns anos o PIB cresceu mais do que esses 3%. E não houve inflação. O blefe foi desmascarado. MINISTRO PIRES Um início de crise aérea, nada se faz. A crise ampliando, nada se faz. O Ministro da Defesa mostra amplo despreparo, mas é mantido. Cai um avião, aeroportos são paralisados, controladores de vôo se rebelam, a oposição se ouriça. Mas nada se faz. Agora, o que era um início de crise ameaça se tornar fogueira, com oposição pedindo CPI e meio aeronáutico em pé de guerra. Nunca se viu crise tão anunciada quanto esta. LADEIRA ABAIXO O dólar fechou a R$ 2,06, mesmo com todas as compras do BC. Enquanto o BC mantiver os juros nesse patamar, não adiantará comprar dólares, porque o câmbio continuará ladeira abaixo até R$ 1,90, R$ 1,80. Trata-se de um desastre para inúmeros setores da economia, mas não há força no governo Lula para romper com esse poder absurdo do BC. Quando o governo acordar, o número de mortos e feridos será incalculável. CVM 1 Durante anos o País pagou uma alta conta de juros, com custos sociais, na infra-estrutura. A promessa é que quando as taxas chegassem a níveis razoáveis, os recursos da indústria de fundos transbordariam para o setor real, permitindo alavancar o crescimento. Por isso mesmo, a decisão da CVM de permitir aplicações no exterior é de um contra-senso absurdo. CVM 2 A intenção da CVM é permitir a criação de fundos que pudessem aplicar 100% de sua carteira no exterior, sob a alegação de que precisariam de alternativas à redução das taxas de juros dos títulos públicos. Um país que abriu as portas para investimento externo, alegando falta de poupança interna (o que era falso), agora se prepara para permitir a migração da poupança interna, sob a alegação de que faltam ativos internos.

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