Vencido o desespero com a internação na UTI da Santa Casa, a salgadeira Marta Aparecida Marangoni, 55, esforça-se para levar conforto ao marido, o lavrador Olíndio Marangoni, 70. O companheiro não passou o Natal em família, pois está internado desde 19 de dezembro de 2006 com o corpo paralisado do pescoço para baixo. “Já sofri demais. Quase morri quando soube que ele ficaria internado, longe de mim. Nunca nos separamos em 40 anos de casados. Só Deus para me ajudar a suportar tudo isso.”
Eles são de Pedregulho e Marta faz questão de visitar o marido em Franca todas as tardes. Se um dos quatro filhos não pode trazê-la, viaja de ônibus. “Não tem problemas. Dou um jeito de estar com o Olíndio pelo menos um pouquinho. Não falhei nenhum dia. Preciso vê-lo todo dia para voltar para casa mais em paz”, disse ela.
Olíndio está consciente, mas depende de um respirador artificial. Para a mulher dele, tê-lo ao seu lado em casa seria “uma verdadeira bênção”, mas para equipar a residência precisariam investir mais de R$ 60 mil em aparelhos. “Se pudesse ficar mais com ele seria muito bom. Ele é meu amor, meu marido e um verdadeiro pai para mim.”
Marta está esperançosa com a melhora do estado de saúde do marido. “Algo no meu coração me diz que ele está prestes a ir embora comigo daqui alguns dias. Tenho fé que Jesus vai nos ajudar a realizar essa vontade.” Infelizmente, o desejo de Marta não será concretizado. Senhor Olíndio morreu na tarde de ontem.
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