Os perigos da escova progressiva


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As donas das cabeleiras cacheadas ou crespas sempre buscaram alternativas para esticar os fios. Antigamente, faziam as tradicionais “toucas”, enrolando mechas de cabelo presas com grampos de um lado só e depois virando-as para o outro. Há quem optava pelos bobs grandes. Nos tempos mais modernos, a tecnologia soprou a favor da mulherada e lançou as famosas chapinhas. Mais recentemente, o mercado recebeu uma gama de produtos para deixar as madeixas lisas. Até o formol, aquele usado para conservar cadáveres, entrou em ação para garantir o efeito “reto”. É aqui que mora o perigo. Os riscos das técnicas de alisamentos ganharam mais publicidade na semana passada, após a morte da dona de casa Maria Ení da Silva, 33, em Porangatu (GO). No dia 21 de março, ela sofreu choque anafilático seguido de parada cardíaca após fazer escova progressiva. Suspeita-se que tenha sido intoxicada pelo formol usado no tratamento capilar. Em Franca, cabeleireiros e dermatologistas alertam para os cuidados na hora de usar alguma das técnicas para alisar os cabelos. O primeiro passo é escolher um profissional de confiança para fazer a escova progressiva e que conheça bem a técnica. Depois, antes de iniciar o tratamento, a cliente precisa fazer o chamado teste de mecha. O cabeleireiro deve passar um pouco do produto numa pequena quantidade de cabelo. “Se o fio quebrar ou emborrachar, não podemos aplicar em toda a cabeça. O teste é essencial para evitar desgostos com o resultado final e agressões à saúde da pessoa”, disse Célio Moreira, proprietário do salão Toks Dourados. O dermatologista Sérgio Tasso alerta as pessoas para fazer o que chama de teste alérgico sempre que forem fazer algo nos cabelos, mesmo se for só tintura. Neste caso, passa-se uma pequena quantidade do produto na pele (braço ou pescoço) e aguarda de 48 a 72 horas para saber se há reação. “Essa é uma regra válida para qualquer tratamento, especialmente com formol. A substância, por si só, já é tóxica e irritante e se quem usar for alérgico, poderá sofrer reações graves que vão de inchaços, irritação nos olhos, feridas no couro cabeludo, dor de cabeça e até morte.” Mas não precisa ficar desesperada com o bendito formol. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) permite concentração da substância em cosméticos de até 0,2%. Então, o recomendado ao fazer a progressiva, é fugir de fórmulas manipuladas pelos próprios profissionais e optar por linhas de produtos de confiança. “Pelo menos utilizando xampus e cremes de empresas grandes, a pessoa tem o respaldo da responsabilidade delas”, disse Valdir Antônio, cabeleireiro há 24 anos. Não é apenas a concentração do formol a ser respeitada, mas o tempo de aplicação também. “É necessário tomar todos os cuidados recomendados. O local para fazer a escova progressiva deve ser bastante arejado, é preciso usar máscaras, não deixar o produto em contato com a pele nem com o couro cabeludo”, alerta a cabeleireira Sebastiana Alves, do salão de beleza Nova Geração. LISO, MAS SEM FORMOL Além da escova progressiva, outras fórmulas podem deixar as madeixas lisas ou reduzir o volume. São tratamentos à base de amônia, guanidina ou relaxamento, técnicas menos agressivas. A vendedora Lucélia Ferreira, 23, tinha cabelos enrolados até a última quinta-feira. Cansada de fazer escova sempre ou ficar com o cabelo preso quando estava no estado natural, decidiu fazer tratamento para alisar. Dentre as opções, optou pela guanidina e gostou do resultado. “Tomei alguns cuidados antes de alisar. Conversei com o profissional sobre todas as opções, qual a mais indicada para mim e fiz o teste antes. O cabelo ficou ótimo. Está macio e bem liso.” Ela pagou R$ 150 pelo tratamento no salão Toks Dourados.

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