‘Supermeningite’ mata bebê em 17 horas


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Marcos José (com as mãos na cabeça) chora ao lado de parentes a morte de Gabriel, seu primeiro filho: caixão lacrado por causa da doença
Marcos José (com as mãos na cabeça) chora ao lado de parentes a morte de Gabriel, seu primeiro filho: caixão lacrado por causa da doença
Um bebê de apenas dois meses morreu menos de 17 horas depois de ser infectado pela bactéria meningococo. Gabriel Alves Gomes Costa, que nasceu prematuro de sete meses em janeiro, foi vítima da doença meningocócica, uma variação da meningite mas muito mais letal. Sua morte foi a segunda na cidade provocada por esta bactéria em trinta dias. As autoridades estão em alerta, mas descartam a ocorrência de epidemia ou riscos maiores para a população. Gabriel começou a apresentar os primeiros sintomas da doença na manhã de quinta-feira na casa onde morava no Jardim Centenário. Por volta das 8 horas, acordou com febre de 38 graus e sem querer mamar. Sua mãe, a sapateira Rosilda Alves dos Santos, 21 anos, medicou-o com um antitérmico. "Achei que fosse uma febrinha boba, reflexo de uma gripe que ele havia tido na semana passada". Durante toda a manhã, Gabriel passou irritado e chorando. Só aceitou mamar depois do almoço. "Ele nem tinha acabado e vomitou. Aí, eu me assustei. Mas com todos os meninos em casa, não tinha como levá-lo ao pronto-socorro". Rosilda tem outros três filhos, de 2, 3 e 5 anos. Ela esperou seu marido Marcos José Gomes Costa, 18, chegar. Eram 19 horas quando deram entrada no PS Infantil. Gabriel foi atendido pela médica de plantão que, sem identificar no exame preliminar a razão da febre, pediu um raio-X. O exame ficou pronto duas horas depois e não apontou nada de anormal no garoto. Foi solicitado, então, um hemograma. "Ao tentar colher o sangue, a médica percebeu manchas roxas no tórax do bebê, desconfiou que pudesse ser meningite e o encaminhou direto para a UTI da Santa Casa", disse o pediatra Carlos Reis Jacometi, que recebeu a criança no hospital. Já na Santa Casa, Gabriel, apesar de medicado com potentes antibióticos, não resistiu. Em duas horas, morreu em virtude da falência múltipla de órgãos. "Foi tudo muito rápido. Ele chegou com umas cinco manchas no tórax. Duas horas depois, estava com o corpo todo tomado. Teve hemorragia, entrou em choque e não resistiu". O médico, que atua há 20 anos como pediatra e é diretor-clínico do PS Infantil, disse que essa não foi a primeira morte provocada pela doença. "Há menos de 30 dias, um menino de 5 anos e 35 kg morreu por causa dessa mesma doença". Apesar dos dois casos recentes, Carlos Reis descartou a possibilidade de surto ou epidemia. "Essa é uma doença rara e de difícil transmissão porque a bactéria não resiste muito tempo fora do organismo humano, mas as mães devem, sim, ficar alertas". Colaborou Daniel Rodrigues

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