Pretendendo acrescentar idéias ao debate sobre esse artigo (para entender o assunto: "O crime não compensa" foi produzido pelo articulista Paulo Pereira da Costa, publicado pelo Comércio em 24 de março e pode ser lido no link http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=15149), acredito que a criminalidade no Brasil tem muito de como funciona a política no País. É sabido por todos que a população carcerária no Brasil é, em sua maioria, `pobre`, sem recursos financeiros. Isso se dá porque quando ricos e poderosos têm crimes descobertos, contratam não um advogado e sim, uma banca inteira de advogados. As brechas da Lei são exercitadas ao extremo e a liberdade lhes fica assegurada. Com o pobre, não.
Ele tem que procurar a Assistência Judiciária da OAB ou de faculdades de Direito, com advogados de pouca experiência e que trabalham em diversos casos, com baixa remuneração. O resultado é simples: pessoas são condenadas e presas por furtos de pequena monta enquanto quem rouba milhões não passa nem perto a portões de presídios. O pobre é ladrão. O rico, corrupto. A pena de morte no Brasil não funcionaria pelo mesmo motivo; o sistema penal brasileiro tem dois pesos e duas medidas. Cabe ao Congresso modificar a Constituição e isso só vai acontecer quando aprendermos a escolher melhor nossos representantes políticos. Para reforçar isso, basta dizer que nas últimas eleições, o presidente da "CPI dos Sanguessugas" não se reelegeu mas foram reeleitos quatro dos investigados. A sociedade brasileira não privilegiou os investigadores mas "confiou" nos investigados. Moral e ética não fazem parte do critério de escolha dos eleitores. Penas duras e igualdade de penas não valem como prevenção de crimes, porque o criminoso só comete porque acha que vai dar certo. Se tivesse certeza que fosse dar errado, não fazia. O Congresso brasileiro tem que rever seus conceitos e cabe à população exigir isso. Os eleitos têm a obrigação de representar seus eleitores e gerarem as mudanças que a sociedade quer. Leis duras, severas, que realmente façam justiça e afastem do convívio social quem pratica crimes, sejam pobres ou ricos. O Estatuto da Criança e do Adolescente precisa receber atualizações, já que temos hoje verdadeiros “monstros mirins” que não podem ser comparados aos filhos de pessoas de bem. O assunto é amplo e polêmico. Existem muitos ângulos que têm que ser vistos e revistos mas acho que estas idéias podem estimular o debate que esta Editoria do Comércio se propõe a agasalhar.
Geliane Gonzaga
é leitora do Comércio da Franca
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