A inocência dos Satyros


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A Viagem Teatral 2007, projeto promovido pelo Sesi, traz para Franca, no sábado e domingo, a peça Inocência. Não, não é a "Inocência" de Taunay. É a da companhia Os Satyros, dirigida por Rodolfo Garcia Vasquez e vencedora do prêmio de mellhor espetáculo de 2006 pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Inocência também recebeu três indicações ao Prêmio Shell, melhor direção, melhor cenário e melhor iluminação. Destinos trágicos em um cotidiano banal. No caminho de dois imigrantes ilegais, que não conseguem salvar do afogamento uma jovem, surgem os mais diversos tipos de desencantados. Uma garota cega que dança em um clube privê e passa os dias a vagar pela cidade com uma sombrinha e um livro escrito em braile. O funcionário de uma funerária que carrega para sua própria casa os cadáveres sem família. Uma mulher de meia-idade que vê as extremidades do seu corpo serem amputadas em razão do avanço do diabetes. A peça da dramaturga alemã Dea Loher, mesma autora de outro sucesso da companhia A vida na Praça Roosevelt e ganhadora do principal prêmio literário da Alemanha no ano passado, tem quase três horas de duração e funde a angústia do vazio com luzes high-tech. Em comum, além do sucesso, as duas obras trazem o olhar original da dramaturga sobre uma série de personagens anônimos que se cruzam em situações infestadas de poesia e de dor. "Nós nos identificamos com esse universo específico de Dea. A dramaturgia é dolorida, aborda a solidão e temas urbanos e contemporâneos. A companhia também é assim, nossa sede está no centro degradado de uma grande cidade. São temas constantes no nosso cotidiano mas de grande densidade, e nem todos, porém, percebem isso. Cabe aos artistas dar esse alerta", disse o ator Ivam Cabral, com exclusividade ao Comércio da Franca. Uma curiosidade para o público ficar atento é que o sotaque da dupla de imigrantes Fadoul e Elísio, interpretados por Cabral e Fabiano Machado, não existe. Foi criado pelos atores durante os ensaios. "Na Europa é comum existir imigrantes, mas no Brasil não. Nós temos dificuldade em identificar uma identidade própria e é isso que buscamos com esse sotaque que não existe, uma mistura de outras línguas que forma uma que não existe", explicou Cabral. A COMPANHIA Fundada em 1989 em São Paulo por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, Os Satyros iniciaram a pesquisa de um teatro essencialmente experimental. Em 1990, a partir da montagem Sades ou Noites com os Professores Imorais, da obra homônima do Marquês de Sade, a companhia provocou polêmica e dividiu a crítica especializada. Em 96, Os Satyros trabalharam intensamente entre Brasil e Portugal. Curitiba abrigou a primeira produção brasileira da companhia com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Prometeu Agrilhoado, inspirado no texto de Ésquilo e que utilizava os recursos multimídia que vêm sendo pesquisados pela companhia. Em Lisboa, realizou Woyzeck, de Büchner, apresentado em uma das principais salas de espetáculos do país, o Teatro da Trindade, e Hamlet-Machine, de Heiner Müller, no Museu da Cidade de Lisboa. A inauguração do Espaço dos Satyros em São Paulo foi em dezembro de 2000, com o espetáculo Retábulo da Avareza, Luxúria e Morte. Em 2002, a companhia foi contemplada com o Programa de Fomento ao Teatro, da Secretaria Municipal de São Paulo e organizou o evento "Satyrianas, uma Saudação à Primavera", em comemoração ao 13º aniversário de sua fundação. SERVIÇO Inocência Local: Sesi - Av. Santa Cruz, 2870 - Vila Santa Cruz Datas e horários: 31/03 e 01/04 às 20h Recomendação etária: 16 anos Entrada: franca. Retirar ingresso com antecedência

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