A disputa pela presidência da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), cuja eleição acontecerá em 10 de abril e será decidida pelos votos dos 31 conselheiros, está movimentando a tradicional entidade. Como em toda corrida eleitoral, não faltam as típicas trocas de farpas entre as correntes que se opõem. Além do prestígio de comandar a mais tradicional e importante associação de empresários da região, o eleito assume a condição de agente político de peso e ainda decide como serão investidos R$ 6 milhões anuais, receita estimada da entidade. A definição do presidente pelo voto é um fato raro na história da Acif. Desde 1971, não havia disputa pelo cargo e a escolha era realizada por aclamação.
Jayme Barbosa indicou João Carlos Cheade, seu vice, para substituí-lo no cargo que ocupa desde 2005. Alegou motivos pessoais para não tentar, ele mesmo, a reeleição, outro fato raro na história da entidade. “Minhas empresas estão precisando de mim. Estamos ampliando e meus sócios me chamaram de volta”, justifica.
Onofre Trajano prefere o contabilista Luís Alberto Prior para comandar a Acif. Para ele, Prior reúne mais condições que Cheade para assumir a função. “Tem um perfil menos centralizador que o da atual gestão. O associado poderá ter mais voz ativa na administração”, disse.
Prior tem como lema de campanha a “inclusão”. O contabilista tem quatro empresárias em sua chapa, a quem garante participação ativa no dia-a-dia, e promete trazer mais industriais para participar da direção da Acif, normalmente comandada por empresários do setor comercial. “O setor de serviços tem crescido muito em Franca mas precisamos de uma atenção especial ao calçado, às fábricas. Vamos retomar o ciclo de palestras e de treinamento para ajudar o setor a contornar este momento difícil”, disse Prior. Um trabalho especial de motivação dos 80 funcionários da entidade também está nos planos de Prior, que defende um atendimento de excelência aos associados. “Para isso o funcionário tem que estar tranqüilo, sem estresse e feliz”.
“RACHA DE IDÉIAS”
Trajano, que acompanhou Prior e os integrantes de sua chapa em visita ao Comércio na tarde de ontem, disse que não tem nada pessoal contra Barbosa e seu grupo, mas deixou claro que reprova a atuação deste à frente da Acif. “É um racha de idéias, nada mais. Nada quanto a ele. Quanto à sua gestão, não posso falar muito porque não participo. Ele tocou a entidade como quis tocar”.
Para Barbosa, a Acif foi bem “tocada” sob seu comando. Citou, principalmente, ações na área social. Disse que apóia Cheade para que este dê seqüência aos seus projetos. “Avalio minha gestão como boa. Fomos atuantes e transparentes o tempo todo”, disse. “
Quanto à expectativa de votação de seus candidatos, os discursos de Trajano e Barbosa são parecidos. Ambos negam favoritismo, mas deixam claro que confiam na vitória de seus pupilos. “Não queremos cantar vitória antecipadamente, mas, nos contatos que temos feito com os conselheiros, notamos que a aceitação de Prior está ótima”, disse Trajano. Extraoficialmente, dirigentes ligados Trajano acreditam que Prior vença a disputa com pelo menos 2/3 dos votos.
Jayme Barbosa é mais contido em sua previsão, mas não perde a chance de alfinetar a chapa adversária. “Espero que o João vença e só. Eles podem até arriscar um número, mas desde criança ouço um ditado que é verdadeiro: o carro de boi só faz barulho quando está vazio”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.