O garoto de 12 anos surpreendido com 21 papelotes de cocaína, quarta-feira de madrugada, permanece recolhido em uma cela especial da cadeia do Jardim Guanabara. Na manhã de ontem, ele foi levado ao Fórum para prestar depoimento. O juiz da Vara da Infância e da Juventude, José Rodrigues Arimatéa, decidirá na próxima quarta-feira se manterá ou não sua custódia. A hipótese mais provável é que o menor seja encaminhado para uma casa de recuperação.
Funcionários da cadeia disseram que o menino recrutado pelos traficantes passa a maior parte do tempo dormindo na cela. Ele está sozinho no local. Magro, alto e tatuado, aparenta ter bem mais que apenas 12 anos. Demonstra uma maturidade surpreendente para alguém de sua idade e evita comentar detalhes do submundo do mercado de compra e venda de drogas.
Entrevistado pelo Comércio no dia em que foi preso, disse que é viciado há mais de um ano em cocaína e maconha. Esteve internado no Hospital Alan Kardec por três semanas. Funcionário de um traficante, contou vender cada papelote por R$ 20. Com o dinheiro arrecadado, compra a droga para seu consumo próprio. “Vendo a minha e faço meu lucro, meu dinheiro. Pego a cocaína com um moleque na avenida. Vendo a minha e cheiro um papel (sic)”.
Fora da escola há quase três anos, espera sair da criminalidade. “Tenho medo de morrer. Quero mudar de vida.
Preciso de tratamento”. O menor mora com a avó e os tios no Jardim Centenário. A mãe dele sofreu derrame e está internada há dois anos em um asilo. O pai foi morar com outra mulher fora de Franca. Segundo os vizinhos, ele passava o dia todo na rua envolvido com más companhias. Um tio disse que ele já foi detido “umas três ou quatro” vezes por cometer furtos de bicicletas e pequenos objetos no bairro.
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