O garoto Marcelo*, 7, discriminado em sala de aula por não conseguir controlar suas necessidades fisiológicas, fará cirurgia retal na Santa Casa entre os dias 10 e 30 de abril para melhorar a continência. Antes disso, poderá freqüentar a escola quando a família autorizar. “Ele tem direito à vaga, onde esta houver e, sobretudo, em sua própria escola”, afirmou a dirigente regional de ensino, Ivani Marchesi.
Além da vaga, Marcelo também ganhou presentes ontem. Ouvintes da rádio Difusora, que divulgou primeiro o caso, deram a ele uma bicicleta nova e um carrinho de controle remoto.
Neste ano, Marcelo freqüentou a primeira série por apenas dois dias. Por uma má-formação, o menino, que nasceu sem ânus e não consegue controlar suas necessidades fisiológicas, teria sido motivo de chacotas de alunos e não aceitação por parte da professora e direção da unidade, que determinaram que o garoto não entrasse nas aulas. A Direção Regional de Ensino apura as responsabilidades.
Apesar da autorização da dirigente, a mãe de Marcelo, Juliana Aparecida, vai esperar que ele faça a cirurgia e, só depois, mandará o filho de volta à escola. Até lá, o garoto terá aula particular. “Uma professora entrou em contato comigo e disse que quer ensinar meu filho. Achei muito bom porque, depois da cirurgia, ele voltará a escola e acompanhará os colegas de sala, sem ficar atrás”, disse Juliana.
Na escola “Carmem Nogueira Nicácio”, onde a professora havia recusado o aluno em sala de aula, nem a diretora, nem a educadora quiseram falar sobre o assunto. “Eu também não quero que meu filho volte para lá. A Ivani me disse que ele poderá ir para outra escola se quiser. Então vamos”, disse a mãe.
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