Quarta-feira, 1h15, Avenida Ismael Alonso y Alonso. O Escort 94 prata roda, solitário, pela maior avenida de Franca. No semáforo, vermelho, a espera é agoniante. Em trinta segundos, nenhum veículo passa no cruzamento. Não há registro de vida.
Dentro do veículo, dois amigos procuram, ávidos, um lugar para terminar a noite. Não é tarefa fácil. Os bares do Centro já fecharam as portas. Foram, literalmente, expulsos. Duas horas depois, outros três bares fechados, voltam para casa. Não há, em Franca, nenhum boteco aberto.
Calçadão da Barão, quinta-feira, 17h30. O vendedor de tapetes William Lopes, 31, senta-se preguiçosamente em um banco. Enquanto limpa o suor da testa, fecha a contabilidade do dia com meia-hora de antecedência. “Franca está de bode. Não estou vendendo nem um terço do que vendo normalmente. Dá pra ficar pelado nesse calçadão que ninguém percebe”, diz.
Calçadão da Rua do Comércio, quinta-feira, 18h05. A vendedora Aline Ferreira, 18, começa a preparar o fechamento da ótica na qual trabalha. Enquanto ajeita os óculos em exposição, contabiliza os números da semana. “As vendas cairam 50%. É uma paradeira só. Ninguém nem entrou na loja”, diz.
As três situações retratam o clima de Franca nos últimos dias. Marasmo, paradeira e bode foram as palavras mais utilizadas pelos francanos para definir o período. Os motivos? Calor, fim de mês e falta de dinheiro foram os principais. “Não sei se é falta de dinheiro ou o calor, mas sinto que muita gente não está saindo como antes. É um bode geral”, afirma Edinéia Matos Moraes, 20, moradora no Jardim Francano.
William Fernandes, 22, concorda e a afirma: o ânimo da cidade está baixo. “Quando queremos nos divertir, eu e minha esposa vamos para Ribeirão. Nessa última semana não teve nada bom”.
Já Joaquim Roberto da Silva, 58, morador na Vila Integração, culpa as autoridades. “É culpa do governo. Precisamos de mais empregos e mais dinheiro. Nunca vi as ruas da cidade tão vazias. Onde vamos parar?”.
A esperança, porém, não está completamente perdida. Voz solitária entre os consultados pelo Comércio, Joverci de Souza Pinto, 28, espera dias melhores. “Vai melhorar. No fim das contas, tem como ficar pior? Existe luz no fim do túnel”, confia.
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