Informação reduz mortalidade infantil em 29% na região


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Geliane Rodrigues ainda sente o cheiro de seu filho no cobertor, bebê morreu há 15 dias com quase cinco meses
Geliane Rodrigues ainda sente o cheiro de seu filho no cobertor, bebê morreu há 15 dias com quase cinco meses
Ultra-som, exame de sangue, aferição de pressão e peso. Uma bateria de exames e consultas médicas faz parte da rotina de Eliane Vilas Boas, 26, desde os 20 dias de sua primeira gestação. Com quatro meses e uma semana de gravidez, ela já foi consultada sete vezes. Se tudo correr bem, até o fim do nono mês deve passar pelo pré-natal em outras cinco oportunidades. O cuidado é justificado. “Doenças e má-formação do feto são diagnosticadas e podem ser evitadas logo nos primeiros meses da gestação”, ensina a futura mãe. Cuidado com o pré-natal, como o de Eliane, é uma das ações que fizeram com que a taxa de mortalidade infantil na região de Franca caísse 29,1% nos últimos dez anos, de acordo com a Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados). Em 1995, o índice de óbitos era de 18,71 a cada mil nascidos vivos. No último levantamento, de 2005, caiu para 13,28. Das 23 cidades que integram a região, 14 tiveram queda na taxa e nove registraram aumento. Para a ginecologista Ana Lúcia Rodrigues, coordenadora do Comitê Municipal de Mortalidade Infantil de Franca, melhorias nas políticas públicas - como agendamento de pré-natais e planejamento familiar - e o voluntariado são as explicações para a melhora. “O trabalho conjunto das UBSs (Unidades Básicas de Saúde), ONGs (Organizações Não-Governamentais) e de voluntários ajudam muito”. Ainda assim, a falta de cuidados ainda é um problema sério. “Muitos asfixiamentos ocorrem com mamadeiras que são dadas antes do tempo. Outro problema é o não tratamento de infecções urinárias e genitais durante a gravidez”, diz. Com o aumento dos cuidados, problemas de má-formação do feto e prematuridade superaram a desnutrição e a diarréia e são, hoje, as principais causas de morte entre crianças. É o que aconteceu com o filho de Geliane Rodrigues, 22. Há 15 dias, antes de completar cinco meses, Carlos Eduardo morreu de falência no fígado causada por uma má-formação rara. “A minha parte eu cumpri. Eu fiz o acompanhamento corretamente e fiz curso de gestante. É importante que as mães cuidem da gravidez, é muito difícil perder um filho recém-nascido”, disse.

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