TSE ameaça mandato de Nirley


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Uma decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ameaça o mandato do vereador de Franca Nirley de Souza (PSC). Para o tribunal, o mandato de um parlamentar pertence ao partido ou à coligação e não ao candidato eleito. Com isso, uma mudança de partido implicaria na perda da vaga. Nirley, eleito vereador pelo PFL, rebatizado de DEM (leia mais ao lado), mudou para o PSC há dois anos. Nirley só não perderá a vaga em duas hipóteses: se o DEM decidir não fazer valer o direito dado pelo TSE ou se o vereador resolver voltar ao partido. Ontem, informado pelo Comércio das conseqüências da decisão do TSE, o vereador reagiu com surpresa. “Não sei bem o que dizer. Não deveria retroagir, mas sim valer daqui para frente. Se as pessoas que mudaram soubessem, não mudariam”. Depois, Nirley afirmou que não está preocupado com a ameaça. “Por enquanto, não vou fazer nada. Vou aguardar o desenrolar dos processos nacionais”, disse. Se Nirley perder o cargo, quem assume é o primeiro suplente do DEM, Oscar Mercuri. Apesar de prometer questionar o diretório municipal, ele não acredita que vá ocupar a vaga de Nirley. “Vamos conversar com o presidente do diretório municipal (Gilson de Souza), mas ele não deve abrir mão desse cargo, que é do irmão dele”. Mercuri acredita que Nirley acabe voltando para recém-nomeado Democratas. O comandante local do DEM, Gilson de Souza, não soube explicar o que pretende fazer sobre o caso. “Preciso tomar ciência dos detalhes para opinar, mas vou seguir o que a lei manda. Sobre o vereador, não sei o que fazer ainda”. BEM RECEBIDA Os demais vereadores de Franca, que não têm com o que se preocupar, vêem com bons olhos a medida do TSE. “A fidelidade partidária deveria existir há muito tempo. Há parlamentares que usam o partido como trampolim”, disse Luiz Carlos Fernandes, no PDT desde 1985. Gilson Pelizaro, petista há 22 anos, concorda. “A grande maioria dos parlamentares é eleita por causa da legenda. Por isso, a vaga tem mesmo que ser do partido”. A mesma análise fazem cientistas políticos ouvidos pelo Comércio (veja texto ao lado) e os outros deputados da cidade. “O troca-troca de partidos é uma vergonha. É uma aberração da nossa política que está sendo corrigida. Só lamento que não tenha sido uma iniciativa dos próprios deputados”, disse o estadual Roberto Engler (PSDB). Para o deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB), o tribunal se antecipou ao Congresso. “Essa é uma vontade da maioria dos parlamentares. A decisão do TSE só confirma isso”, disse.

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