Avanço do sistema partidário brasileiro, moralização das legendas e ganho na imagem dos legisladores. Essas são algumas boas notícias que especialistas consultados pelo Comércio acreditam advir da polêmica decisão do TSE que institui, à fórceps, a fidelidade partidária no País.
Segundo Fernando Azevedo, cientista político da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), a decisão é um marco na política brasileira. “Do ponto de vista da consistência democrática, acho a decisão muito boa. Ela força a fidelidade partidária. O Judiciário fez o que o Legislativo deveria ter feito e não fez”, disse.
Já Maximiliano Martin Vicente, cientista político da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Bauru, acredita que o ganho será imediato. “É uma espécie de jato de moralidade em uma área que está profundamente manchada. O parlamentar deverá entender que representa um partido, uma legenda, e não apenas seus próprios interesses”, disse.
Já Álvaro Martin Guedes, especialista em Gestão Pública pela Unesp de Araraquara, acredita que a medida, embora benéfica, deva ser burlada pelos políticos. “Cada vez que se inventa uma medida de controle radical, sempre se consegue uma forma de burlá-la. Claro que isso coibe algumas articulações mais espúrias, como a troca de legenda antes da diplomação, mas é uma medida que apenas inibe o excesso do excesso”, avalia.
Ainda segundo ele, porém, isso não significa que a medida seja iníqua. “O Judiciário mostra que está atento às necessidades da sociedade. A medida, em si, é muito válida”, finaliza.
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