Se isto é vida? Essa matéria e todas as outras relacionadas a esse tema deixam alguma dúvida? Temos uma criança que, apesar de possuir uma grave anomalia, é um ser humano, pleno de vida... É preciso dizer mais alguma coisa para justificar os esforços para se dar a oportunidade da vida, mesmo que curta, para alguém ter este direito básico preservado? Temos uma mãe dedicada, corajosa, digna no sentido mais extremo desta palavra, que até o momento tem feito o possível para garantir o melhor à criança por ela gerada, permitindo-lhe, com todo amor, viver. Se existem dificuldades, se existem angústias, se existem dúvidas, o que ninguém duvida, tais percalços tão-somente engrandecem o ato nobre desta família. A escolha, contrária talvez ao que a grande maioria dos omissos de nossa sociedade pensa, não foi a mais fácil, uma vez que seria mais cômodo viver o resto da vida com a falsa tranqüilidade de ter “descartado` uma criança que talvez “não duraria poucos minutos”. Felizmente, ao contrário do que se propaga, prova-se que um feto anencéfalo não é sinônimo de “feto morto”. Prova-se, grandiosamente, que a verdadeira dignidade da maternidade está em dar a luz ao filho e não de enterrá-lo apenas baseando-se em incertezas acadêmicas...
Jucemar Morais
é leitor do Comércio da Franca
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