Jackson não era ‘o craque’ quando começou


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Luizinho, primeiro técnico (acima), durante aula
Luizinho, primeiro técnico (acima), durante aula
No mundo do futebol profissional, surpresa é o que mais acontece. No caso da carreira do lateral-direito Jackson, esse ditado pode ser aplicado. Ele é de Franca e, com 18 anos, fez sua estréia no time titular do São Paulo ontem à noite, no jogo contra o Rio Branco. Quando ainda era um menino, com 12 anos, jogando no chão batido da Vila Imperador pelo Internacional, Jackson Henrique Gonçalves era mais um garoto comum, entre outros 50. “Se fosse para apostar, eu não gastaria meu dinheiro nele. No futebol nem sempre aquele que a gente acha que será um craque é o que vai estourar”, revelou Luiz Henrique Marques, o Luizinho. Ele foi o primeiro treinador de Jackson. Com 14 anos de trabalho na área, Luizinho comanda o sub-13 e sub-15 do Internacional. O jogador é seu primeiro aluno a ganhar notoriedade. O técnico contou que no começo dos treinos do atleta, ainda não sabendo de sua origem humilde, sempre dava bronca porque nas apresentações do time ele aparecia de chinelo de dedo, enquanto era exigido tênis. “Depois que fiquei sabendo da situação, todo mundo ajudou com um pouco e ele ganhou um tênis”, completou. Escalado sempre como meia no início da carreira, já que era um pouco “moleirão”, a personalidade de Jackson é elogiada. “Ele é um menino muito disciplinado.” Após o período no Internacional, o garoto se arriscou no Rio Branco. Dispensado após três meses, voltou ao time da Vila Santos Dumont. O lateral ficou ao todo dois anos e meio no alvinegro até que disputou uma competição em Rifaina, em 2003. Ele se destacou e um empresário de Uberlândia (MG) conseguiu o teste no São Paulo. “Nós fizemos uma vaquinha e foi a mãe do jogador Crison, que está na Francana, que levou os dois meninos, de carro, para o teste no São Paulo. O Jackson passou e o David não”, explicou Luizinho. Hoje, o lateral serve de exemplo aos outros alunos. “Agora tenho que me preocupar com esses aqui. Temos outros garotos que não têm nada. O Jackson está vencendo”, sentenciou. (Rodolfo César)

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