Há seis anos, a apanhadora de café Edna Gonçalves jamais sonharia receber a ligação do filho Jackson Henrique dizendo que iria disputar uma partida profissional. Eles não tinham telefone em casa. Hoje, a realidade é bem diferente. Jackson, 18, defende o São Paulo Futebol Clube há quatro anos e ligou anteontem à noite da capital para a mãe, que mora no Jardim Dermínio, em Franca. a intenção: avisar que faria seu primeiro jogo como titular do time profissional.
O garoto pobre da periferia de Franca mal começou a trilhar sua carreira em um grande clube e já conseguiu ajudar sua família a melhorar de vida.
A casa de três cômodos, sem pintura, de fundos, no bairro Jacinto Nery, foi trocada por uma bem melhor, no Dermínio, de três quartos.
Para o local foram todos que viviam no antigo lar: a mãe, a irmã de 27 anos, os dois filhos dela, e o irmão mais novo de 16 anos. Só o irmão de 24 anos é que continuou na antiga casa.
A mobília ainda está sendo montada porque a mudança da família é recente e ainda não deu tempo de ter todos os móveis. “Deus está abençoando ele para ir mais longe”, disse Edna, que é evangélica.
“Nós somos muito humildes e nunca tivemos nada. Estou feliz por ele conseguir o que busca”, contou a mãe.
Até do emprego ela se aposentou, a pedido do filho. “Ele me pergunta ‘de que adianta ele jogar no São Paulo se eu tiver de trabalhar apanhando café?’ Agora sou dona de casa”, comentou, com um sorriso e muita simplicidade.
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