Poucas horas depois de perder para o Ben Hur, por 82 a 68, anteontem, em Rafaela, na Argentina, a delegação do Unimed/Franca retornou ao Brasil. Atletas e membros da comissão técnica chegaram a Franca no início da madrugada de hoje. Para tanto, foram necessárias, entre percursos feitos em ônibus velhos e idas e vindas a aeroportos, mais de 20 horas de viagem.
De positivo da excursão à Província de Santa Fé, segundo os próprios atletas, somente a experiência. “Perdemos sob condições contestáveis e muito suspeitas. Todo mundo viu que a arbitragem meteu a mão. Mas agora não adianta reclamar mais. É trabalhar e ganhar os dois jogos deles aqui”, disse ontem o pivô Murilo.
A partida, a primeira da semifinal da Liga Sul-Americana, disputada em melhor-de-três, foi extremamente desgastante. Além de enfrentar um bom adversário, o Unimed/Franca passou por maus momentos antes, durante e depois do jogo. Os problemas começaram na manhã de terça-feira, quando foi servido um café-da-manhã regulado aos jogadores. “Foi complicado. Só tinha leite e café mesmo e, ainda assim, em pouca quantidade. Precisamos correr atrás para arrumar comida de verdade para o grupo”, disse o diretor Luís Símaro, que chefiou a delegação local.
Resolvida essa questão, o segundo “pepino” foi insolúvel. A dupla de arbitragem, difícil de se afirmar que por deficiência técnica ou má-intenção, foi um desastre no jogo, segundo os francanos. Inverteu faltas, aplicou infrações técnicas e comprometeu o andamento da partida. Hélio Rubens Garcia, durante o jogo, foi categórico: “Tá roubando, todo mundo tá vendo. Vamos combater isso jogando basquete”. A ordem em nada adiantou: o time continuou nervoso. Helinho e Murilo acabaram eliminados do jogo, com cinco faltas cada um.
Acabado o confronto, o pior. Uma grande confusão formou-se no piso do Coliseu Ben Hur. Os brasileiros reclamando acintosamente com os árbitros e, simultaneamente, batendo boca com os argentinos. Houve momentos em que a situação beirou o insustentável, com vários princípios de briga. Um dos mais exaltados foi o ala Rogério, vítima de cusparadas de torcedores argentinos.
Surgiram problemas até na hora de ir embora. Um ônibus até bonito, mas cheio de goteiras, foi disponibilizado aos francanos. Sob intensa chuva, o veículo se tornou uma lagoa. No hotel, contratado pelo time de Rafaela, não havia água. Ontem, para complicar ainda mais, o vôo de Rafaela para Buenos Aires atrasou e o trecho, de 425 quilômetros em rodovia de pista simples, foi feito no ônibus com goteira. “Não vamos olhar somente para os problemas. Amanhã (hoje) mesmo treinaremos para buscar as vitórias que precisamos”, disse Hélio Rubens Garcia ao embarcar no veículo.
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