A coordenadora da Amafem, Kátia Rosângela Silva, faz acompanhamento das gestantes em recuperação. Segundo ela, a internação de mulheres grávidas tem se tornado comum. “Só nos últimos meses, recebemos quatro internas gestantes”. Atualmente, o centro de reabilitação atende 26 mulheres, sendo duas grávidas e duas com filhos recém-nascidos. Kátia conta como é o atendimento na fazenda nessas situações.
Comércio - É comum a Amafem receber gestantes?
Kátia - Sim e o número é crescente. Pelo que sei, somos a única clínica feminina que recebe gestantes. Aceitamos com intuito de preservar a segurança da criança, sua saúde, evitando málformações provocadas pelo uso das drogas.
Comércio - Por que há necessidade de retirar a criança da clínica?
Kátia - Para a mulher voltar suas atenções para si. Antes do nascimento, ela fica dividida e, apenas após a retirada do filho, ela conhece realmente quem é. Uma das fases do tratamento da Amafem envolve o autoconhecimento, pois sem ter controle sobre os defeitos e quereres não vai saber dizer ‘não’ para si mesmas e quando cruzar com as drogas lá fora vai se perder. Mas não é adequado fazer esse trabalho interior enquanto estão grávidas, pois mexe muito com emocional delas. Nesses momentos, resgatamos o passado, culpas, remorsos e defeitos... Enquanto grávida, também são poupadas de serviços pesados, que são importantes para a desintoxicação delas. São regalias necessárias, mas não podem ser permanentes, caso contrário, o tratamento não é bem-sucedido. Sem a criança a recuperação será completa.
Comércio - Não seria necessário ampliar o tempo de tratamento?
Kátia - Realmente, elas perdem uma fase do tratamento, mas ampliar a internação é uma decisão pessoal. Oferecemos essa flexibilidade e, se a moça precisar, fica mais tempo na fazenda. Até hoje, não aconteceu de gestantes ficarem mais de nove meses, só outras internas.
Comércio - A Amafem planeja construir um berçário. Como está esse projeto?
Kátia - Já estamos com o projeto pronto. Como o número de gestantes está crescendo, percebemos a necessidade de ter um espaço para recém-nascidos aqui na fazenda. Quando pronto, o bebê poderá ficar com a mãe até o fim do tratamento. Para as mulheres não perderem o foco da recuperação, contrataremos uma enfermeira para o banho, trocas de fraldas e alimentação das crianças. As mães seriam chamadas apenas para amamentar. Já demolimos uma casa para construir o berçário no lugar e queremos estar com os quartos, banheiro, trocador e cozinha dele prontos até o fim de 2007.
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