Longe das drogas...e dos filhos


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Na fazenda de recuperação da Amafem, Adriana (nome fictício) segura o filho recém-nascido
Na fazenda de recuperação da Amafem, Adriana (nome fictício) segura o filho recém-nascido
Quatro mulheres. Quatro histórias. Quatro crianças. Quatro destinos que se cruzaram. Vera, 22, Adriana, 33, Paula, 25, e Roberta*, 14, envolveram-se com drogas e são internas da fazenda da Amafem (Associação Mão Amiga de Amparo Feminino). Única clínica de recuperação de mulheres em Franca, a entidade traz na lista das dependentes químicas dramas vividos pelas mães que, para estarem longe das drogas, precisam renunciar ao convívio com seus filhos, mesmo que recém-nascidos. Muitas mulheres chegam grávidas ao se internarem e precisam ficar nove meses para o tratamento. Isso torna inevitável o nascimento das crianças durante a internação. Vera, 22, foi uma das que iniciaram o tratamento grávida. Está na Amafem desde novembro de 2006. O segundo filho nasceu no dia 17 de janeiro de 2007. A criança ficou cerca de um mês sob os cuidados da mãe, mas precisou ser levada para morar com a tia do marido há 47 dias. O pai não pôde acolher o nenê porque também era dependente de drogas e está em tratamento no Narev (Associação Núcleo de Apoio e Recuperação da Vida). Vera, que já está longe da primogênita de 2 anos, ainda sente a dor da separação do caçula. “Foi difícil no começo. Pensei em abandonar o tratamento e ir embora junto com ele. Mas avaliei melhor e percebi que, recuperada, tenho mais chances de continuar com meu filho”, disse a dona de casa, que perdeu a guarda da primeira filha quando ela estava com apenas um ano e oito meses. “Me tiraram ela (sic) por causa das drogas (era viciada em maconha e crack desde os 15 anos). Ela está morando com um cunhado meu. Não queria perder outro filho, por isso eu e meu marido decidimos nos tratar quando soube da minha gravidez.” Até graduar (terminar o tratamento) na Amafem em agosto próximo, Vera precisará se contentar com as visitas domiciliares mensais - a partir do quinto mês, as internas são autorizadas a passar cinco dias por mês na casa dos familiares. Enquanto a data não chega, a mãe apaga a saudade abraçando o travesseirinho e urso de pelúcia do filho que ficaram na fazenda. “Ainda tem o cheirinho dele. Tenho fé que vou superar essa fase, por mais difícil que seja”, disse ela. Como Vera, a auxiliar de enfermagem Adriana, 33, começou a luta para se livrar do vício em crack em novembro do ano passado. Também chegou grávida, aos cinco meses. O garoto veio ao mundo há 16 dias e é o terceiro filho dela. O nenê, como os irmãos de 11 e 7 anos, ficará com os pais de Vera. [FOTO2] Atualmente, a criança se encontra com a mãe na clínica de reabilitação. No dia 16 de abril, a interna terá direito à primeira visita à família em Ribeirão Preto e já deixará o filho com os avós. “Os bebês podem ficar um mês conosco. No meu caso, a ida do bebê coincidiu com minha saída. Voltarei sem ele.” Ela está ciente que não será fácil ficar sem o recém-nascido, mas está decidida a enfrentar a distância para se tratar. “Quando vim para cá já sabia que o nenê nasceria e ficaria apenas 30 dias comigo. Mas estou forte para suportar isso. Se eu não estiver bem, não terei como cuidar dele. É por pouco tempo e sei que estará em boas mãos com minha família”, disse. Adriana começou a usar drogas aos 20 anos e consumia maconha casualmente, mas a perda do marido no começo de 2006 a fez usar crack. “Descontrolei totalmente. Trabalhava num hospital, comecei a perder dias de serviço por causa das drogas... Só resolvi parar quando engravidei do Lucas, por causa dele. Agora quero terminar minha caminhada e reestruturar minha vida.” As jovens Paula, 25, e Roberta, 14, ainda não tiveram os bebês, mas já se prepararam para o distanciamento dos filhos até estarem recuperadas. No quarto mês de gestação, Paula aguarda com ansiedade a vinda do terceiro filho (os outros têm 8 e 1 ano). O sonho dela é se livrar do vício em cocaína e maconha e morar ao lado das três crianças. “Quero ser feliz com eles nem que, para isso, precise ficar”, disse. Para Roberta, se separar do primeiro filho nos primeiros dias de vida é uma situação dolorosa, mas necessária. “Sei que vou me apegar muito a ele, meu primeiro filho. Mas se continuar viciada, posso prejudicá-lo e corro risco de perdê-lo”. Dificilmente, a mãe conseguirá visitar o bebê. A criança será levada para a cidade dela - Onda Verde (SP), localizada a 350 quilômetros de Franca. “Meus irmãos e minha mãe vão cuidar dele para mim. Será bem melhor ter uma mãe sóbria. Não terá motivo para ser como eu e dizer que usa drogas porque eu usava.” *Os nomes são fictícios

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