Criança é vítima de discriminação em escola


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Marcelo, 7, é consolado pela irmã, que freqüenta a mesma escola que o teria impedido de assistir às aulas
Marcelo, 7, é consolado pela irmã, que freqüenta a mesma escola que o teria impedido de assistir às aulas
Marcelo*, 7, tem um sonho: ser professor. Por ironia do destino, o objetivo do garoto quase foi impedido, segundo sua família, por aquela que deveria ser exemplo: sua própria professora. A família do garoto afirma que ele estaria sendo impedido de freqüentar a primeira séria na Escola Estadual “Professora Carmen Nogueira Nicácio”, no Jardim Paulista, devido a um problema de saúde. Por uma má-formação, o menino não consegue controlar suas necessidades fisiológicas. Isto tem provocado constrangimentos à criança, que teria sido alvo de chacotas de alunos e não aceitação por parte da professora e direção da escola, que determinaram que o jovem não entrasse nas aulas. A situação aconteceu no segundo dia de aula de 2007, em 14 de fevereiro. Desde então, o jovem não vai à escola. “Ela (a professora) mandou me chamar e disse que meu filho estava cheirando mal. Falou que não lavava as roupas dele. O menino tem problemas de saúde e a professora disse que não é obrigada a agüentar meu filho na sala de aula”, disse Juliana Aparecida, mãe do garoto, que tentou argumentar com a direção da escola. A imposição, contudo, foi mantida. “Fiquei chocada”, disse. O caso foi denunciado ontem no programa Hora do Cacete, da Rádio Difusora. Imediatamente, membros do conselho tutelar foram informados sobre os motivos da evasão escolar e uma conselheira formalizou a denúncia na Diretoria de Ensino. PROBLEMA Marcelo nasceu sem o ânus e, quando tinha pouco menos de um ano de idade, realizou uma cirurgia para reconstrução do canal retal. O problema foi resolvido, mas a criança ainda não consegue controlar suas necessidades fisiológicas. Ao completar 6 anos, Marcelo foi matriculado na pré-escola. “No pré ele foi muito bem tratado pela professora. Ela até pedia roupas para trocar e cuidava dele”, diz a mãe. Na primeira série, porém, a situação ficou insuportável. Já no primeiro dia de aula, passou a ser alvo de críticas e foi barrado pela professora. “É muito triste ver o menino querer ir pra aula e não poder”, diz Juliana. A reportagem do Comércio tentou falar, em cinco oportunidades, durante os três períodos do dia, com a professora do menino e com a diretora, porém ninguém quis se manifestar. “A dirigente regional vai se pronunciar. A gente não vai falar nada”, disse um funcionário da secretaria da escola.

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