Chacrobol vira caso de polícia no Tropical


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Organizador do torneio de chacrobol do Jardim Tropical, o comerciante José Alair Ribeiro posa para foto no campo do bairro: “Problemas existem, mas tenho feito melhorias”
Organizador do torneio de chacrobol do Jardim Tropical, o comerciante José Alair Ribeiro posa para foto no campo do bairro: “Problemas existem, mas tenho feito melhorias”
Ratata-tá, AR-15, Quadrilha, Manifesto. Por mais que possam soar estranhos, são nomes de times que disputam campeonatos de chacrobol em Franca. Na tarde de sábado, a equipe que leva o nome do som emitido pela rajada de uma metralhadora ganhou um torneio realizado no campo do Jardim Tropical. Motivo de festa? Não para os moradores do bairro. Os transtornos causados pela torcida viraram caso de polícia. Uma comissão foi até a delegacia prestar queixa de perturbação de sossego. Segundo a denúncia, drogas, menores bebendo e cenas de atentado violento ao pudor se misturaram às jogadas dos atletas da periferia. Segundo estimativas da organização, cerca de duas mil pessoas estiveram no Campo do Tropical, que é próximo das residências, para assistir à final entre Ratata-tá e Penharol. O grande número de torcedores, a falta de estrutura e a algazarra provocaram a ira dos vizinhos. “A multidão não respeita ninguém. Em dia de jogos, não temos direito de acesso à rua, as entradas das garagens ficam bloqueadas. Os torcedores invadem as residências para pegar a bola e urinam nos muros diante de mulheres e crianças. Não há banheiros suficientes para tanta gente”, contou uma mulher que pediu anonimato. Os moradores também afirmam que são freqüentes as brigas entre torcidas rivais, a explosão de bombas e o consumo de drogas. “É normal ver torcedores com maconha e cocaína. As barracas vendem cervejas em garrafas de vidro, inclusive para menores. Não há o menor controle. Eles soltaram uma bomba, que atingiu a perna da minha cunhada. A polícia vem aqui, mas fica difícil controlar a multidão”, disse um dos vizinhos que pediu para não ser identificado. Desde o fim do ano passado, já foram registrados dez BOs denunciando o caso, mas a cada edição do torneio, os transtornos voltam a se repetir. “Perdemos a liberdade e ninguém toma uma posição para garantir nossos direitos. O coordenador dos campeonatos só quer saber de ganhar dinheiro. A área é pública, mas parece que ele é o dono do campo. A Prefeitura precisa tomar alguma providência”, comentou outra manifestante. O presidente da Feac (Fundação para Esportes, Artes e Cultura), Reginaldo Emídio, responsável pela liberação dos campos, disse que o organizador não tem autorização e que está impedido de promover novos torneios no bairro. “Encontramos muitas irregularidades lá. Vou convocar a associação de moradores para discutir a forma adequada de administrar o campo”.

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