Mutirões expõem deficiência


| Tempo de leitura: 2 min
A captura de 2 mil criminosos na operação policial nacional noticiada pela imprensa não é motivo de júbilo. Preocupa-nos saber que por omissão, falta de coragem política, de recursos ou qualquer outro motivo, esses indivíduos, mesmo depois de condenados, permaneceram por tanto tempo nas ruas, mantendo sua atividade criminosa e barbarizando a sociedade. Quanto sofrimento poderia ter sido evitado se as prisões tivessem ocorrido no tempo certo? O crime age em tempo integral. Precisamos de polícias bem preparadas, equipadas e eficientes que também trabalhem dia e noite durante os 365 dias do ano. A segurança pública não pode ser movida através de "mutirões" baseados no clamor popular, capazes de produzir elevados números, mas ineficientes pela falta de continuidade. As detenções, assim como o desmonte de atividades criminosas devem ser algo permanente, possivelmente tão comuns que nem notícias rendam. Têm de combater o mal logo no seu nascedouro, jamais esperar que ele cresça e forneça o inconveniente passivo de sangue derramado, vidas perdidas, prejuízos materiais e intranqüilidade generalizada. De positivo de toda essa movimentação resta apenas o sentido nacional do trabalho e a certeza de que as polícias, quando autorizadas e motivadas, são capazes de interagir. Essa interação, no entanto, deveria ser habitual há muitos anos, desde a chegada do telefone de discagem direta à distância (DDD) e outros recursos que tornaram possível a comunicação rápida. Os governantes precisam assumir o ônus de uma possível impopularidade quando o assunto é combater o crime. Também devem estar conscientes de que as policiais carecem de equipamentos, logística e homens bem treinados e com salários condizentes. Não podem os policiais ser transportados por viaturas inadequadas ou sucateadas e com escassez de combustível e armamento discreto, quando os criminosos usam veículos e armamento modernos e de alto poder ofensivo. Há que se ter coragem de enfrentar, desarmar e desmontar as quadrilhas e principalmente suas fontes de financiamento. Logo, não é difícil chegar à conclusão de que essa tarefa envolve muito mais do que o aparelho policial, carecendo de uma ação firme do governo por todos os seus meios de fiscalização e controle e do Congresso Nacional para criar, discutir e votar os instrumentos que sejam eficientes para o momento de crise que vivemos. Uma vez municiado por leis mais contemporâneas, o Judiciário também terá uma grande tarefa a cumprir. No dia em que esses requisitos estiverem preenchidos, o Brasil não precisará mais recorrer aos mutirões que, ao mesmo tempo em que mostram uma reação do hoje, deixam a nu a omissão do ontem. Foram anos e anos de desídia, onde autoridades e a própria sociedade fizeram vistas grossas ao avanço das organizações criminosas. Os criminosos ganharam alto poder econômico e passaram a exercer o mando em vastas áreas do país, a ponto de hoje confrontar a autoridade do próprio Estado. Já passou da hora de dar um basta a tudo isso... TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (APOMI)

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários