Dos parvos e da iniciativa


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Começo esta croniqueta, neologismo meu, pensando em política, hábito antigo, e também nos quatro tipos de soldados de Napoleão Bonaparte. Como nem sempre macarrão forma bom par com feijão - a rima é fácil - o leitor, que deve estar pensando, a essa altura, qual substância, ilegal ou não, o jornalista ingeriu para unir elementos tão díspares, precisa saber, pois, que o baixinho invocado afirmava existir os seguintes tipos de soldados: 1 - Inteligentes com iniciativa: conhecidos como os comandantes-gerais, eram os responsáveis pelas estratégias do exército; 2 - Inteligentes sem iniciativa: formados pelos oficiais que recebiam e cumpriam ordens superiores e as cumpriam com lealdade e diligência; 3 - Ignorantes sem iniciativa: colocados à frente das tropas, serviam como verdadeiras `buchas de canhão`; 4 - Ignorantes com iniciativa: esse grupo era abominado por Napoleão, que sequer os recrutava. Poderiam afundar um exército sozinhos. Como não sou militar e pouco entendo de armas - menos a pena, que manejo com medíocre perícia - imagino, em minha mente fértil, como cada político desta terra ímpar que é Franca seria classificado pelo nobre e genial general córsego. Dizem os grandes escritores que uma crônica, tal como a mulher verdadeiramente lasciva, deve mais esconder que mostrar, insinuar que afirmar, provocar que realizar. Sigo, pois, a máxima, não por excesso de competência, diga-se, mas sim por precaução e cobardia. Recém-chegado à terra das três colinas, por desnecessário aprofundar, já presenciei políticos que chutam cones, xingam soldados e acabam processados ou então chamam, alegremente, populares de símios; edis que se indispõem contra a imprensa, apresentam projetos que já existem ou, como os índios na época dos escambos, abrem largos sorrisos ao trocarem votos por caminhões de terra. Há, ainda, nobres deputados que não sabem quando nos tornamos uma República, o que faz revisar em seu mausoléu o heróico Deodoro da Fonseca que seria, para alguns, tão marechal quanto o próprio Pedro I. Outros, mais esmerados, mudam-se, quando eleitos, descaradamente para cidades vizinhas. Pensando bem, Napoleão era danado. Tinha mesmo razão, o baixote. Os parvos com iniciativa (e votos) podem acabar com qualquer exército. Quanto mais com uma simples cidade. EDUARDO SCHIAVONI é editor-assistente de Local do Comércio da Franca, jornalista e educador

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