Nós, brasileiros, sentimos medo e solidão, estamos acuados. A violência é generalizada, mais pessoas foram assassinadas por aqui do que nas guerras ao redor do mundo nos últimos anos. Estão cada vez mais altos os muros do medo e do silêncio. Botamos tapa-olhos para não enxergar o que se passa, vestimos máscaras para que a verdade não nos cuspa na cara e nos defendemos do rumor que nos ameaça botando fones de ouvido. Quando nada se pode fazer, só nos resta a resignação, mas sou da tribo dos que não se conformam. Penso que quando o complicado não resolve, pode- se tentar o mais simples. Às vezes, ser simples é ser original. Sermos eternos queixosos que não fazem nada é outra forma de violência perigosa, porque sutil. É colaborar com os que vão causar direta ou indiretamente a morte de alguém que amamos.
Ana Célia de Freitas
é educadora
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