Não é o que parece


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A recente iniciativa da Sândalo de adotar nova gestão de negócios motivou alguns francanos a imaginar que essa tradicional indústria de calçados da cidade está desacelerando suas atividades. A empresa dispensou a maioria dos funcionários e daí surgiu essa suposição. O que ela fez foi transferir sua produção a terceiros, concentrar sua atuação em outras áreas de desenvolvimento de produtos, marketing e vendas -, para agregar mais valor à marca e iniciar outra fase de crescimento. Por meio de contratos de licenciamento, quatro fábricas passaram a produzir os calçados Sândalo e já empregaram parte dos funcionários que trabalhavam nessa empresa. Ainda não foram todos porque no primeiro trimestre sempre caem as vendas e o setor derrapa na curva. É o período do banho-maria ou, na linguagem atual, de serem recolhidos os feridos pelas balas perdidas. As quatro fábricas assumiram também o faturamento e a distribuição dos produtos licenciados, destinados tanto ao varejo nacional quanto ao mercado externo, e pagam royalties à dona da marca. Esta, por sua vez, supervisiona a qualidade da fabricação e mantém em sua sede as equipes de criação, vendas, atendimento aos clientes, planejamento... enfim, o pessoal das áreas que antecedem a produção. Outra medida da Sândalo foi sair do mercado norte-americano. Embora fosse seu principal comprador, desistiu de atendê-lo, extenuada pela imposição de preços. Não havia mais como baixá-los. A empresa quer agora ampliar suas vendas fora dos Estados Unidos, de preferência com marca própria. Para tanto, programou uma série de participações em feiras internacionais (já marcou presença na Modacalzados, em Madri, encerrada anteontem). Quer ainda entrar no segmento de calçados altamente sofisticados, de luxo. Na próxima semana a empresa deve assinar contrato com uma empresa de estilistas italianos especializada em criar calçados para consumidores endinheirados. O impulso virá com os investimentos em marketing. A Sândalo emprestou temporariamente aos quatro fabricantes licenciados parte das máquinas que utilizava. Encerrado o prazo serão alugadas. Inclusive, as locações de máquinas para calçados cresceram com vigor em Franca. Ressuscita-se um negócio lançado no Brasil, em 1910, pela companhia norte-americana USMC (United Shoes Machinery Co.). SAPATO COM SENSOR Três anos depois de criar um sapato para deficientes visuais, o professor de design industrial da escola Senai de Franca, Valter Vicente Ferreira, tem agora maior esperança de ver o seu invento lançado comercialmente no mercado. Há dois calçadistas da cidade interessados em fabricá-lo, informa. Ele construiu o sapato com um sensor mecânico acoplado no bico do solado, que dispara um alarme quando o usuário se aproximar de algum obstáculo. Mostrou a novidade em feiras nacionais de inovação tecnológica, ganhou prêmio em concurso, mas o preço do sensor (cerca de 250 reais) se tornou a barreira imprevista para o protótipo entrar na linha de produção. Tentam reduzir o custo do acessório. DOCES LEMBRANÇAS O fabricante dos calçados Opananken, Geraldo Ribeiro Filho, revela que quando instalou sua loja no centro da cidade não teve somente interesses comerciais. Também prevaleceu a motivação sentimental. No início da década de 1960, seus pais montaram uma cafeteria naquele espaço e ele os auxiliava nos serviços. Os freqüentadores eram amigos na maioria gente amistosa, cordial, sem quaisquer sinais de estresse; misturavam-se no ambiente o cheirinho do café de coador com risos e alegrias. `Entro ali e sempre me lembro desse passado maravilhoso`, diz Geraldinho. RADIOGRAFIA DO SETOR Assinalamos neste espaço a premência de se fazer um levantamento sobre os pontos fortes e fracos da indústria de calçados da cidade. Este diagnóstico indicaria não apenas as medicações necessárias como possibilitaria à comunidade ter um quadro real da saúde do setor, eliminando-se ou não as especulações apocalípticas que tiram o sono dos que dependem dele. O presidente da associação nacional dos calçadistas, Élcio Jacometti, nos informa que, coincidentemente, no início deste mês a entidade decidiu realizar esse estudo nos principais centros produtores de calçados do País e já solicitou apoio à UNIDO (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial). SALDO NEGATIVO O Brasil exportou 18 milhões de pares de calçados em fevereiro, no valor total de US$ 178,7 milhões de dólares. Em relação a igual mês do ano passado, o faturamento caiu 8% e os embarques recuaram 15%, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). A queda nos embarques reverteu a alta registrada em janeiro. O saldo do primeiro bimestre foi de 34,5 milhões de pares, 9% inferior ao movimento do mesmo período de 2006. Apesar da queda, a receita subiu 2%: US$ 346,4 milhões de dólares.

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