Fornicação: relação sexual voluntária fora do casamento. Afinal, será que esse ato, condenado pela igreja católica e evangélica, é seguido à risca em pleno século 21? Será que existem homens e mulheres que ainda se “guardam” para o casamento? Ou será que a virgindade é coisa do passado?
Embora esse tema pareça ultrapassado, muitos jovens se sentem pressionados. Uns porque são virgens e têm de ouvir dos amigos aquele “nóoossaaa, não sabe o que está perdendo’; outros porque perderam a virgindade e questionam se agiram certo ou errado.
O Se Liga entrevistou dez jovens casais católicos e evangélicos e comprovou: há sim pessoas que esperam pelo casamento para iniciar a vida sexual e ficam longe de namoros picantes, “passa a mão aqui e ali”, e se reservam apenas ao beijo na boca. A maioria dos entrevistados se diz virgem por opção, por conhecer o que acha certo e errado, mas não se sente obrigado a cumprir o que diz a igreja.
“Não sinto falta de sexo, até porque nunca experimentei. Namoro há 1 ano e 3 meses com uma garota da minha igreja e estamos nos preparando para casar. Conversamos abertamente sobre isso e os dois têm a mesma opinião. Queremos descobrir o sexo juntos, mas somente após o casamento”, disse Roberto*.
Roberto tem 19 anos e a namorada, Suellen*, 18. O casal participa dos encontros do grupo de jovens de uma paróquia da cidade. “Quando você vive Deus não tem tempo para pensar muitas coisas. Meu namoro com a Suellen é sincero, de muito respeito.
Tenho certeza que temos todos os requisitos para formar uma família feliz”, disse Roberto, acrescentando que só não sofre pressão por parte dos amigos para perder sua virgindade porque a maioria deles faz parte do mesmo grupo de jovens.
A decisão do casal é a correta quando o assunto se refere aos conceitos da igreja. “A igreja sempre orientou e vai continuar orientando para os jovens viverem a castidade, o namoro santo”, disse Frei Mauro Luiz de Oliveira, pároco da igreja São Judas.
Segundo o frei, o namoro deve passar por etapas de conhecimento e discernimento. “Se for da vontade de Deus, deve-se assumir o compromisso (sexo) somente após o casamento”.
A HORA CERTA
Independente dos conceitos religiosos, começar a transar não é uma decisão fácil. Deve-se levar em consideração vários fatores, pois é o começo de uma nova etapa da vida. O difícil é saber se há uma hora certa para que isso aconteça.
O médico ginecologista é a pessoa mais indicada quando o assunto é saúde. Mas uma conversa com os pais - normalmente as meninas com a mãe e os meninos com os pai -, é um bom começo para se decidir. “Ninguém melhor do que os pais para dar orientação emocional e física”, disse a terapeuta Rita Sartori.
A terapeuta explica que não existe uma hora certa para essa decisão. “O jovem deve ter maturidade para entender o que está fazendo. Ter bom senso é essencial, porque é uma decisão que pode lhe trazer conseqüências não muito agradáveis e transformar aquele momento em frustração”.
Já o ginecologista Cleomar Borges de Oliveira orienta as suas pacientes a iniciar a vida sexual após os 21 anos. “Antes dessa idade a mente do jovem ainda está em formação. Por isso que a gravidez na adolescência é de risco”, disse Cleomar, acrescentando que “fazer sexo sem responsabilidade é regredir à condição de irracional”.
Flávia*, 28, e Alexandre*, 29, namoram há cinco anos e iniciaram a vida sexual há quatro. Não vêem problema em transar antes do casamento. “Nós nos respeitamos muito. E isso não influenciou na decisão de nos casarmos. Vamos ficar noivos em agosto e casar em janeiro de 2008. Sei que a igreja condena o sexo antes do casamento, mas quando estamos juntos não sinto que é um pecado. Somos felizes”, finalizou Flávia.
*Nomes fictícios
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