Passava pouco das 11 horas de domingo, quando Luiza Trajano Donato apagou as velas de um bolo que simbolizava o início das comemorações pelos 50 anos da rede de lojas que nasceu de suas mãos. O cinqüentenário do Magazine Luiza, propriamente, será comemorado apenas em novembro, mas o encontro de funcionários realizado em São Paulo mostrou a força da empresa, os números dos últimos anos e as previsões para os próximos.
Ontem, em entrevista coletiva à imprensa paulistana, o diretor de Marketing e Vendas, Frederico Trajano, apresentou um balanço corporativo e os planos para este ano. Serão 60 novas lojas e 31% de aumento no faturamento do Magazine, que deve ganhar R$ 700 milhões, fechando 2007 na casa dos R$ 2,8 bilhões. A campanha nacional de marketing, que custará mais de R$ 50 milhões, foi outro destaque. A idéia é distribuir 50 casas entre os clientes da rede. O garoto-propaganda será o global Fausto Silva, o Faustão. O Comércio da Franca acompa-nhou com exclusividade o evento.
Oficialmente, a razão para que o sétimo “Encontrão”, como a festa é chamada, fosse realizado em São Paulo foi a logística. De fato, seria impossível encontrar, em Franca ou região, um lugar que abrigasse perto de 10 mil pessoas em um único dia, número fechado pelos expositores, pessoal de manutenção e montagem. O local escolhido foi um gigantesco centro de exposições na Rodovia dos Imigrantes, que liga a capital ao litoral.
Extra-oficialmente, no entanto, há o desejo de mostrar para a principal mídia do País como a pequena loja de Franca transformou-se num gigante brasileiro do varejo e serviços, que deve fechar 2007 como a segunda colocada no ranking nacional de vendas pela internet e manter-se entre as três maiores redes varejistas do Brasil, posição que a diretoria da empresa, declaradamente, pretende deixar pra trás em busca da liderança do setor.
Os planos para este ano atestam que as ambições do Magazine Luiza vão muito além do fortalecimento da rede física de suas lojas.
O grupo pretende desenvolver ainda mais o comércio on line. Como parâmetro, usa exemplos americanos em que as vendas pela internet representam metade de tudo o que se comercializa no varejo dos Estados Unidos.
A dinamização das operações e as diferentes opções de produtos oferecidos pelo Magazine Luiza deverão render, em 2007, a respeitável quantia de R$ 487 mi. Para Frederico Trajano, a tradição do Magazine e sua relação direta com os clientes entram como forte diferencial nestas fatias de negócio. “Com condições mais favoráveis, estamos atraindo as pessoas que têm receio de se envolver com o mercado financeiro, seja por desconhecimento ou até por medo do endividamento”, disse ele.
Ainda de acordo com Trajano, os investimentos pretendidos pelo Magazine Luiza estão alicerçados na capitalização da empresa, condição permitida, em parte, pelo aporte de recursos do Capital Group, instituição americana de investimento, que detém perto de 13% das ações da holding brasileira, e parte pela projeção de abertura das 60 novas lojas (18 em Belo Horizonte), pelo resultado da última “liquidação fantástica”, em janeiro, que vendeu R$ 50 milhões em apenas um dia e pela campanha publicitária, que estreará em todo o País. “Pretendemos continuar crescendo em torno de 40% ao ano, contra 25% do nosso principal concorrente, o que nos permite dobrar de tamanho a cada dois anos”, disse Frederico Trajano.
Sobre o futuro, o diretor quer continuar expandindo os negócios: “Para o mercado varejista, tamanho é documento, sim.
Com mais lojas, em mais cidades, temos condições de oferecer produtos e serviços com preços que a concorrência não consegue alcançar, gerando milhares de empregos e indiretos. Essa é nossa meta e nosso desafio”.
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