Antiguidades agradam a fregueses de Calila


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O que aquela chupeta está fazendo ao lado daquela lamparina? E aquela timba (instrumento musical), alguém toca? Um capacete do Corpo de Bombeiros ao lado de um chapéu de cangaceiro! Tudo é curioso. E para tudo José Carlos Gonçalves, o Calila, tem uma explicação. “Aquela maquininha enredeira pertenceu à minha avó”, conta orgulhoso ao mostrar a relíquia recebida da matriarca da família. Apaixonado por música, Calila garante que nos instrumentos musicais o pó não acumula nunca. “Qualquer músico que chegar aqui tem o que tocar. É pagode, música sertaneja, forró. Para o ritmo que desejarem há instrumentos aqui”. E tem mesmo. Cavaco, banjo, timba, pandeiro, sanfona, berimbau, violão, viola, tem de tudo. Mas é pelo último que Calila diz ter um carinho especial. “Samba-enredo é só no período do Carnaval. Gosto mesmo é de música raiz, sertaneja”. Com tamanha proximidade com a música, não é necessário dizer que os rádios, vitrolas e discos de vinil - muitos - também ocupam lugar de hon-ra na coleção. Entre os objetos que despertam a atenção dos freqüentadores estão ainda cabaças, pilões e outros mais exóticos, como animais empalhados - com destaque para uma cabeça de búfalo com chifres - e até uma caixa de marimbondos secos. Os apreciadores dos esportes podem passar boas horas conhecendo a vasta coleção de camisas de times de futebol, raquetes, bolas - de todo tipo - e outros artigos. Outros artigos curiosos são os telefones. Um deles, de parede, é o que mais chama a atenção. Se funciona? Claro. Basta girar o disco com os números desejados, levar o fone até o ouvido e aproximar a boca do bocal na parede, segundo Calila. Para combinar com o clima provinciano, se algum freguês for craque no berrante, também pode matar a vontade. Lá estão eles, pendurados próximo às lamparinas (que acendem). Calila faz questão de mostrar. Eduardo e Tatiane, os filhos que inspiraram a coleção, assistem atentos à explanação do pai sobre o tranqüilo modo de vida. Em cadeiras e almofadas dispostas na porta do bar, eles passam os finais de tarde batendo papo, atendendo os fregueses e, da forma lúdica, leve e descompromissada de Calila, mostrando aos interessados um pouco do passado que se mostra curioso nos tempos modernos.

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