Alfredo Palermo
especial para o Comércio
Após a reeleição do presidente Lula, o País começa a acreditar em uma revolução na área da educação. Temos uma estrutura administrativa antiga na vida dos problemas educacionais. A Constituição reparte entre União e Estados o enfrentamento desses problemas, cuja solução patina em leis e decretos que, com o crescimento do País, sempre estão aquém das necessidades nacionais. Aliás, essas deficiências e o volume dos problemas educacionais do Brasil são antigos. Registra o Prof. Jaime de Abreu, no livro Problemas Brasileiros de Educação (p.13), uma frase de Octávio Mangabeira, ao assumir essa pasta: “Tenho a sensação, nada confortável por sinal, que devo engolir o oceano!”.
Entre os problemas da educação brasileira, como sabem os leitores, está o ensino técnico, o superior e o profissionalizante. O Estadão, do dia 18 último, publicou uma estatística muito importante: dos 3294 estabelecimentos de ensino médio no País, apenas 944 estão sob a administração oficial, federal, estadual ou municipal, cabendo 2350 às escolas privadas.
O Ministério da Educação tem estudado profundamente esses dados e os têm exposto à análise dos educadores brasileiros, que justificam a premente necessidade de uma revolução. O Prof. Eliezer Pacheco, alto funcionário do MEC, declarou dias atrás: “A sociedade brasileira vive sob uma forte carga bacharelesca. Por isso, há muito preconceito com tudo o que se relaciona ao mundo do trabalho, seja o ensino técnico ou tecnológico. São vistos como de segunda categoria”. E essa é a visão do CETEC do MEC, ao qual cabe enfrentar a crise que está na base do desenvolvimento econômico do Brasil, e que o presidente Lula deseja ampliar, criando escolas técnicas e tecnológicas de cursos de seis semestres, nos campos da saúde, da indústria, da gestão, da informática e da agropecuária. Por isso, o presidente, antecipando-se ao PAC, destinou o investimento de R$ 1 bilhão para a construção de 150 escolas técnicas federais, para a formação de técnicos especializados nos vários setores acima referidos, viabilizando o emprego de 200 mil profissionais, acelerando o desenvolvimento da economia brasileira, caminho antevisto para o PAC.
Franca já tem várias escolas profissionalizantes oficiais. O Estado, assim, deve, com urgência, não só proporcionar a ampliação dos quadros técnicos e tecnológicos dessas escolas como lhes oferecer recursos para a ampliação de sua capacidade plena de funcionamento. Há um dogma a ser respeitado: o ensino profissional moderno é condição fundamental para o desenvolvimento econômico do País. É a vez e a hora do ensino técnico profissionalizante do Brasil. Aliás, Lula anuncia auxílio adequado para os municípios que se enfileiram nessa cruzada.
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