Nova novela. Após vários desdobramentos envolvendo o repasse dos R$ 30 milhões à Santa Casa, mais um empecilho: o hospital resolveu aumentar o pedido de auxílio financeiro ao Estado e, agora, quer receber uma ajuda mensal de mais de R$ 1 milhão, em vez dos R$ 842 mil anunciados até aqui, para complementar suas contas. O acréscimo de R$ 200 mil a mais no rombo a ser coberto pode significar novo entrave para o fechamento de um acordo que parecia certo depois do recuo do prefeito Sidnei Rocha (PSDB).
Na quinta-feira, o tucano aceitou abrir mão dos R$ 30 milhões repassados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) à Santa Casa em favor do Estado.
O hospital quer levar em conta o déficit provocado apenas pelas verbas do Sistema Único de Saúde. “O valor a ser discutido é o déficit do SUS, que é R$ 1.025.000, um milhão e pouquinho. Não tenho o número exato em mãos”, disse o superintendente da Santa Casa, Fernando Bueno. Os R$ 842 mil anteriores incluíam na conta outras fontes de renda do hospital que abatiam o buraco no orçamento.
Bueno disse que o hospital aguardou ansioso a confirmação de um acordo entre Prefeitura e Estado para se informar melhor sobre como será implantado o programa de ajuda financeira. “Até agora, nada oficial foi informado. Isso só deve ocorrer depois de formalizar o acerto, apesar de achar que deveríamos participar da negociação”. No entanto, o compasso de espera deve terminar nesta segunda-feira. “Na segunda-feira, pretendo entrar em contato com o Estado para saber que medidas tomar. Estamos com o hospital lotado de serviço e sem dinheiro”, afirmou.
Em São Paulo, na Secretaria Estadual de Saúde, nada de novidades. Na sexta-feira, a assessoria de imprensa do secretário Luiz Roberto Barradas informou apenas que ainda não havia valor definido para verba a ser destinada à Santa Casa ou mesmo uma data prevista para a formalização de um acordo. Depois das declarações de Bueno, o Comércio não conseguiu contato com a assessoria.
NA TEORIA
A mudança de discurso do superintendente da Santa Casa atinge também uma exigência do Estado, que, após análise das contas do hospital ainda em andamento, pretende indicar pontos passíveis de economia. Bueno disse que os cortes de gastos “são uma coisa teórica”.
“Gostaria de ver onde eles ocorreriam. Não há nada mais crítico para mim hoje do que segurar os gastos. Mas tudo é possível. Se eles tiverem alguma coisa para acrescentar, faremos. Mas gostaria de ver”, disse Bueno.
Em contrapartida, o superintendente da Santa Casa fez questão de elogiar a iniciativa do Estado de auxiliar o hospital. “Pela primeira vez na história, a gente tem uma atitude séria do Estado para resolver o problema. Vamos a fundo nela”, disse.
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