Igreja simplifica anulação e 25 católicos de Franca têm autorização para casar de novo


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Maria Aparecida e João Carlos se casaram como manda o figurino depois que ele conseguiu anular sua primeira união
Maria Aparecida e João Carlos se casaram como manda o figurino depois que ele conseguiu anular sua primeira união
O desejo de realizar o sonho da mulher Maria Aparecida Vilani Buranelli, 41, de casar na Igreja Católica como manda o figurino fez com que o comerciante João Carlos Buranelli, 54, procurasse em 2005 uma forma de anular o seu primeiro casamento. Juntos há 13 anos e com um casal de filhos (um menino com 11 e uma menina com 8), aquela era a uma saída para que pudessem participar mais ativamente da igreja sem se sentirem excluídos. Eles freqüentam a Paróquia Menino Jesus de Praga, no Jardim Francano. Mas havia a pergunta: como fazer isso? Em uma reunião da Pastoral da Segunda União, na qual Maria e João participam, o bispo emérito Dom Diógenes Silva Matthes falou do assunto e apresentou os serviços do Tribunal Eclesiástico. Nele, ao invocar um ou vários motivos, Buranelli poderia invalidar o primeiro sacramento e fazê-lo de novo, como se não nada tivesse ocorrido. No seu caso, ele casou aos 19 anos com a namorada grávida. “Não tinha maturidade para o casamento”. Decidido, o comerciante procurou pelo recurso na Diocese de Franca e, para sua surpresa, após um ano e investimentos de mais de R$ 4 mil, conseguiu a declaração de nulidade e pôde novamente se casar para a alegria da nova mulher. O casamento ocorreu há um ano e teve direito à missa e comunhão nas duas espécies da igreja (pão e vinho). “Foi a realização de um sonho que consegui com muito incentivo da comunidade que participo. Havia uma pressão e até mesmo uma cobrança pelos meus filhos, mas se não fosse a ajuda da Igreja não teria ido atrás”, revelou. Histórias com final feliz como a de João Carlos não são exceções em Franca. Desde que o padre Adriano Henrique da Silva assumiu o cargo de juiz instrutor e auditor da Câmara Eclesiástica da Diocese de Franca, há cerca de três anos, 56 pessoas já entraram com o processo de nulidade do casamento. De todos os pedidos feitos, 45% tiveram decisão favorável do Tribunal em São Paulo (em primeira e segunda instâncias) e cerca de 20 casos estão em trâmites no aguardo de um parecer. No Tribunal Eclesiástico, o processo é penoso e esmiúça a intimidade do casal. A ação corre mesmo diante da recusa de uma das partes e custa caro: 11 salários mínimos (equivalente a R$ 3850). “Não me arrependo, hoje minha mulher está feliz. Antes, ela chegava a chorar por não poder comungar nas missas. Além disso, o valor pode ser parcelado”, disse Buranelli. Para o padre Adriano Henrique, a maioria das pessoas que procuram pela nulidade do matrimônio tem uma experiência religiosa, com acompanhamento de um diretor espiritual e já vive em uma segunda união estável. “São pessoas maduras com idade média de 40 anos e há um equilíbrio entre homens e mulheres”. E para surpresa dos cristãos mais convencionais, o número de casos poderia ser ainda maior. Nos três anos à frente da Câmara Eclesiástica, o padre já recebeu 245 pessoas interessadas em obter mais informações do processo. “Todas fizeram a primeira entrevista, é um número alto, mas, em razão dos gastos, as pessoas não dão seguimento no processo”.

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