O Deus das surpresas


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Já estamos vivendo o último domingo da Quaresma. A Semana Santa que viveremos em breve pode ser comparada ao fecho de ouro de um tempo litúrgico que nos ajudou a meditar sobre a conduta humana e a proposta de Deus que nos ama. A palavra de Deus proclamada nas celebrações eucarísticas vem nos convidar a deixar de recordar o passado sem remoer as coisas antigas. Nós todos passamos por momentos de crise. As paixões, os maus hábitos, os nossos instintos, os nossos sentimentos, as nossas reações, o nosso temperamento intratável às vezes nos envolvem e nos dominam. Tentamos até melhorar, mas no fim entregamos os pontos, desanimamos e acabamos concluindo que não vale a pena lutar, pois a situação não vai melhorar mesmo. Para os israelitas, tristes pelas derrotas enfrentadas, Deus se revela como Pai. Para nós, o amor de Deus se mostra como salvação por meio do seu Filho Jesus. O cristianismo exige um coração jovem, em condições de aceitar as novidades. São Paulo revela-se possuidor de um coração jovem, pois ao encontrar Cristo, imediatamente rompeu com o passado e aceitou a novidade do Evangelho. É difícil romper com o passado de uma hora para outra. É difícil renunciar ao modo de pensar que assimilamos desde a infância, segundo o qual consideramos lógico sempre vencer, gozar a vida sem qualquer preocupação, competir com os outros e sempre buscar vantagens. O homem quando conhece e assimila a mensagem de Cristo sente a necessidade de agir de tal forma que parece ter endoidecido, abandonando uma vida fútil e assumindo uma vida totalmente na ótica da humildade, simplicidade de coração, acolhendo aquele que erra, sendo um pote permanente de perdão. O evangelho nos apresenta a mulher adúltera que está diante de Jesus para ser julgada. Ela foi colocada diante dele por aqueles que se consideravam perfeitos. A primeira atitude de Jesus desmascara a hipocrisia que aqueles homens possuíam. Jesus diz: “Quem dentre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra”. Todos se afastaram, a começar dos mais velhos e Jesus diante da mulher era o único que podia pronunciar a sentença, mas ele se recusa a fazê-lo. Ele não condena. Se Jesus não julga e não condena, quer dizer então que o pecado não significa nada? Praticar o bem ou o mal é a mesma coisa? De modo nenhum! O pecado é um mal muito grave que infelicita e destrói a vida de quem o pratica. Ninguém detesta o pecado mais do que Jesus, porque ninguém ama o homem mais do que ele. Jesus não condena a pessoa que errou e não autoriza ninguém a atirar pedras, para não acrescentar mais males aos que o pecador já cometeu. A grande surpresa é: Deus é maior do que o coração dos homens, ele não condena ninguém. A única coisa que ele deseja é a salvação de quem errou. Outras surpresas Deus nos revela se aderirmos à sua Palavra. O PRECEITO DOMINICAL Na Exortação Apostólica “Sacramentum Caritatis”, do Papa Bento XVI os números 72 e 73 nos falam sobre o sentido do domingo. O domingo não se distingue dos outros dias pela simples suspensão de atividades normais aos outros dias. É o dia em que o cristão reencontra a forma eucarística própria de sua existência, isto é, a cada domingo o cristão precisa lembrar: minha vida deve ser uma “oferenda” para Deus. No domingo o cristão deve praticar alguma obra de caridade. No domingo se cumpre o preceito dominical. A vida de fé corre perigo quando se perde o desejo de participar na celebração eucarística. O domingo é dia de Deus: simboliza o primeiro dia da criação; é dia de Cristo, referindo-se à sua ressurreição, pois, no primeiro dia da semana encontraram o túmulo vazio; é o dia da Igreja, pois é o dia que a comunidade cristã se reúne para a celebração; é o dia do homem, porque é o dia da alegria, do repouso e da caridade fraterna. Quem somos para impossibilitar o descanso, o convívio familiar, a participação nas celebrações litúrgicas e o restabelecimento das forças perdidas pelo árduo trabalho semanal? Não é bom interferir nos coisas de Deus... VIDA I Mais uma vez a pequenina Marcela é notícia e “das boas”; sobrevive, sem cérebro, há quatro meses. Sua presença é uma grande lição: os planos de Deus, nem sempre os entendemos, só nos resta acatá-los. Os arautos da ciência fizeram previsões, outros optariam pelo aborto, alguns acham que é puro sofrimento, entretanto, o fato de estar vivendo nos mostra que a vida, nossos atos, dias e horas são presentes de Deus e que nós pertencemos a Ele. VIDA II Se ficarmos impressionados com os diversos dissabores que as notícias nos oferecem, perdemos o valor da vida, sofremos e ficamos deprimidos. Quem sabe já pensamos: Simão Cirineu só no tempo de Jesus, puro engano... A história da enfermeira Maria Pessoni, publicada nesta semana pelo Comércio, prova que ainda hoje existem outros “Cirineus” aliviando as dores do próximo. A família de Maria Pessoni é enorme... seus pacientes. As “mãos que aliviam” foram colocadas no nosso tempo para nos lembrar que, de algum modo, é possível ajudar na continuidade da vida neste mundo! SEMANA DAS DORES A última semana quaresmal é chamada, no meio popular, Semana das Dores. Com orações, procissões e no piedoso exercício da Via-Sacra, os cristãos seguiam os passos de Jesus passando pelas lágrimas de Maria Santíssima vendo seu Filho sofrer. O sentido desta semana é o mesmo de toda a Quaresma: a partir dos sofrimentos do Redentor passar pelos nossos sofrimentos com a grande certeza: Cristo Ressuscitou e está conosco! DOMINGO DE RAMOS No próximo domingo inicia-se a Semana Santa com o Domingo de Ramos: “Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas”. A Bênção dos Ramos será às 9 horas na Praça Carlos Pacheco (defronte ao Cemitério da Saudade). De lá parte procissão à Catedral, onde será celebrada a Missa.

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