Branco, 22 anos, sem profissão definida, primeiro grau incompleto. Ladrão ou traficante. Esse é o perfil da maioria dos 409 detentos recolhidos à cadeia pública do Jardim Guanabara. O raio-x inédito dos presos de Franca foi obtido por meio de pesquisa feita pelo Comércio da Franca no banco de dados do presídio.
Os números revelam que é cada vez maior o envolvimento dos jovens no mundo do crime e desmistificam que os negros são presos com maior freqüência. Também apontam uma tendência de equilíbrio entre os crimes mais cometidos. O tráfico de drogas e os roubos respondem pela maioria das prisões.
Atualmente, o cadeião abriga 409 presos, sendo 323 provisórios. Os outros 86 já foram condenados e aguardam transferência para penitenciárias no interior do Estado. A maioria, 34,4% - ou 141 - nasceu na década de 80. Tem no máximo 27 anos. A idade média dos detentos é 22 anos. “Temos verificado que os mais novos estão se envolvendo com maior intensidade em ocorrências violentas. Muitos são primários e nunca haviam passado pela cadeia. São jovens recrutados pelo crime organizado ou atraídos pela ilusão do dinheiro fácil”, comenta o delegado Alan Bazalha Lopes, diretor do presídio.
O “vovô” da cadeia é um homem de 59 anos preso por tráfico de drogas. O mais novo tem 18 anos e foi detido por se envolver em assalto à mão armada. Eles exemplificam bem a modalidade de crime mais comum em Franca: 35,2% (144) dos presos foram parar atrás das grades por estarem envolvidos com a venda de entorpecentes. Em segundo lugar, aparecem os casos de roubos, que respondem por 23,2% (95) das prisões. “O perfil do criminoso está mudando. Estão migrando para o tráfico e assaltos, delitos que podem dar mais lucro em menos espaço de tempo”.
O furto foi o responsável por mandar 82 pessoas para trás das grades. No fim da lista, apenas dez assassinos estão recolhidos no Guanabara. Só é mais que os receptadores (cinco) e estelionatários (quatro). Treze detentos foram recolhidos por problemas cíveis, principalmente falta de pagamento de pensão.
A população carcerária é composta, em sua maior parte, por detentos de Franca e cidades vizinhas, mas há representantes dos Estados do Paraná, Goiás e Minas Gerais. “Ah, temos até um paraguaio que foi preso por tráfico”, lembrou o delegado Alan.
Ao preencherem suas fichas, os internos se apresentaram como sapateiros, serventes de pedreiro, pintores, vendedores, mototaxistas e comerciantes. Para a polícia, na verdade, são desocupados. Alguns campos das fichas não foram respondidos, o que torna impossível precisar o percentual de presos por raças étnicas. Em primeiro lugar, aparecem os brancos. Depois, vêm mulatos e os negros estão em terceiro lugar.
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