“Estou diferente hoje. Aqui dá futuro”. A opinião de Felipe Silva Américo, 12, é compartilhada pelos seus dois irmãos, Jean Michel Dias, 11, e Mateus Dias, 9. Conhecidos como os “Irmãos Américo”, tempos atrás, eles perderam o pai assassinado e a mãe ficou sozinha para cuidar de dez filhos. Eram garotos “problemas”. Coisa do passado.
“Aqui cada criança tem uma história. Umas alegres, outras tristes”, disse Ivanilda Andrade. Ela “adotou” os três “Américos”, que passam de sexta a domingo na sua casa e durante a semana, terças e quintas-feiras, freqüentam a escolinha. “A mãe deles agradece muito tudo isso. E agora estamos de olho em outros três irmãozinhos deles que vêm por aí”, adiantou ela.
A escolinha é o prêmio de muitos garotos. No campo da Rua Mestre Inácio a rebeldia dá lugar à alegria e dedicação. Maria Francisca Neves de Souza, 58, é avó de Marcos Vinícius, 10, e reconhece a importância do neto em jogar futebol. “Digo para ele que se fizer algo errado, não vai ao futebol. Ele é ansioso, mas com a escolinha ele reconheceu esses dias para mim: ‘é, eu tenho que andar direito’. Fico feliz”, comemora a mulher. O que fez a mulher ficar ainda mais contente foi Vinícius revelar que o time disputa a semifinal de um campeonato no Vera Cruz. “Ele chegou todo contente dizendo que está em uma posição importante e todo mundo passa a bola para ele”. Vinícius é meia em seu time.
A família Andrade quer mais. Nas reuniões feitas de 15 em 15 dias na casa de Anísio e Ivanilda, ele colocaram como meta conseguir o alambrado, construir um vestiário e um refeitório no terreno. “Nosso maior sonho é ter uma quadra coberta. Já pensou esses meninos nela, não iam parar mais de jogar”, sonha Ivanilda.
Com um orçamento de R$ 1.500 para sustentar cinco pessoas, a família Andrade, com três filhos, precisa buscar recursos e apoio fora. O processo de doação da área para a escolinha, que é uma associação, está em tramite na Prefeitura. E a melhor notícia ainda está por vir. Patrick Andrade, 15, filho e principal motivador do projeto, pode tornar-se o primeiro jogador profissional da escolinha. Ele fará um teste no Cruzeiro ainda neste ano. “Vou ser jogador ainda”, disse, confiante.
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