Língua, orelha, umbigo, nariz, queixo, sobrancelha, mamilos e até mesmo clitóris e pênis. Ornamentar essas partes do corpo com piercing deixou de ser apenas uma expressão pessoal de grupos ou tribos. Vai além da moda e exibição, passou a ser um acessório de prazer, afinal, como exibir um piercing colocado no clitóris?
Que o piercing chama atenção e fazem as barriguinhas saradas se destacarem ainda mais, ninguém tem dúvida, mas, ao decidir colocar o acessório, é preciso seguir algumas regras, caso contrário, o objeto de desejo pode se transformar em um pesadelo.
Tudo começa com a escolha do profissional que fará a perfuração. Ele deve ser treinado para tal. Nada de deixar um amigo ou ambulante fazer esse serviço. Para saber se a pessoa tem licença da Vigilância Sanitária, peça para ver a autorização. Você tem direito.
Fernando Baldochi, chefe da Divisão Municipal de Saúde, disse que a inspeção a esses locais é renovada a cada ano, por isso fique atento às datas. “Nessas inspeções, avaliamos desde o uso dos instrumentos até a higiene do ambiente”, explicou Baldochi, acrescentando que Franca tem apenas nove locais licenciados.
Outro detalhe: se o piercer (profissional que aplica o body piercing) aceitar fazer a perfuração em jovens menores de 18 anos, esqueça. Ele não é capacitado e está infringindo leis estadual e municipal, que são claras nesta questão e diz: menores de dezoito anos só na companhia dos pais. Já menores de doze anos não podem colocar o acessório.
Bom, se você decidiu mesmo colocar o piercing, já escolheu a parte do corpo que vai perfurar e o profissional, agora é escolher o acessório. Há modelos para todos os gostos e os preços são a partir de R$ 10. A escolha do piercing também é importante quando o assunto é saúde. Prefira um acessório feito de aço cirúrgico 316 L - o mesmo utilizado para fazer implantes. “Com esse material, o risco de rejeição e de inflamações é quase zero”, disse o piercer Rubens José de Almeida, 38.
No umbigo e língua, o ideal é colocar primeiro um piercing provisório. Só depois de desinchar (no caso da língua) e de cicatrizar (umbigo), é que você poderá escolher um modelo diferente.
Na área há mais de seis anos, Rubens Almeida já contabilizou mais de 40 mil perfurações. E quem pensa que só artistas são ousados, como a atriz Karina Bachi - em dezembro do ano passado, ela virou o centro das atenções ao posar para a Playboy com um piercing numa parte íntima do corpo -, engana-se. “Faço muitas aplicações em partes íntimas. Não contei quantas, mas são várias”, afirma Rubens, que não hesita em dizer que o maior público nesse segmento são as mulheres.
O médico dermatologista Aldo Fantini Netto disse que são raras as complicações decorrentes da colocação do piercing. Mesmo assim recomenda-se atenção especial quanto à higiene, especialmente quando o local escolhido é o nariz. “É uma área propícia a se infectar por conta da dificuldadede fazer a assepsia”.
Aldo recomenda aos jovens usar apenas um sabonete anti-séptico e, se preciso, uma pomada que contenha antibiótico. Mas,antes de colocar o acessório, ele reforça os cuidados quanto ao local em que a pessoa fará a perfuração e, principalmente, a pensar bem antes de tomar a decisão. “Acho que discutir o assunto com a família é o principal. E, na hora de escolher o local, observar se há aparelhos que esterilizem os instrumentos usados e se as seringas são descartáveis para evitar contaminação”.
SEM DOR E FELIZ
A assessora administrativa Ana Paula Silva, 26, colocou seu primeiro piercing há dois anos. O local escolhido foi o umbigo. Ela garante que não sentiu dor. “O piercer usou uma xilocaína, que anestesiou o local. Depois que a anestesia acabou, foi só cuidar direitinho”, disse.
Feliz com a decisão de perfurar o umbigo, Ana Paula comprou vários modelos e cores. “Posso dizer que é uma vaidade que não dispenso mais”. Depois do umbigo, ela ainda perfurou a cartilagem da orelha e pensa agora em colocar um pequeno piercing no rosto. “Estou em dúvida se coloco no supercílio ou no nariz. Mas, diferente do umbigo, será um acessório minúsculo”, garante.
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