"Ser um com o todo: esse é o viver para os deuses, esse é o céu para o homem. (...) retornar ao todo da natureza: esse é o ponto mais alto do pensamento e da alegria, é o pico sagrado da montanha, lugar da calma eterna (...) Ser um com tudo o que vive! Com essas palavras (...) o espírito humano despoja-se do cetro e todos os pensamentos se dispersam diante da imagem do mundo eternamente uno (...)". Hölderlin.
Por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento - ECO/92, passou-se a construir o conceito de sustentabilidade. A Agenda 21 traça quais as ações que devem ser desenvolvidas pelos governos, no âmbito Federal, Estadual e Municipal, no sentido de estabelecer critérios de desenvolvimento sem provocar desequilíbrios no meio ambiente. A Resolução da ONU de número 153/1995 declara o chamado consumo sustentável e demonstra uma preocupação com a finitude dos recursos naturais e com a má utilização desses por parte da população. O conceito "sustentabilidade" não esvaziará o discurso ecológico, ao contrário, visto da forma como o é só vai aumentar as desigualdades sociais e a devastação do planeta. As autoridades mundiais querem deixar transparecer que existe equilíbrio entre esse paradigma civilizatório predador com algumas conferências internacionais, resoluções, legislações, enfim, uma série de documentos vistos, revistos, ampliados e assinados em hotéis e estâncias luxuosas em Davos, Rio ou Amsterdã e que ao tornar público esses documentos, seu cumprimento será imediato. Sustentabilidade implica em intro-retro-relacionamentos, não existe crescimento linear, mas sim de relações, de redes. As ações antrópicas, aquelas articuladas pelo próprio ser humano, são as principais responsáveis pela extinção, de forma irreversível, da diversidade da vida no planeta. O acúmulo por um lado e o desperdício por outro ocasiona a maior crise civilizatória da História da humanidade.
As necessidades humanas alimentadas pelos meios de comunicação de massa e pelos processos de marketing são infinitas, ao passo que os recursos naturais têm fim. É nessa abordagem que se deve refletir diuturnamente acerca do papel de cada indivíduo como parte desse todo complexo. O que poderia ser feito para desacelerar esse processo entrópico esbarraria nos interesses de algumas minorias. Na Argentina, por exemplo, a capacitação de professores sobre temas ambientais é oferecida pelas empresas que produzem insumos, as quais não têm neutralidade científica, nem interesse na disseminação de conceitos corretos acerca do perigo de se consumir ou utilizar certos produtos. Os políticos, em todos os recantos do mundo, não sabem nada sobre Ambiente, aliás, ignoram o que seja a própria Política.É quase impossível mobilizar a opinião pública acerca da necessidade de uma educação ambiental voltada para a complexidade, ou seja, é difícil "quebrar` conceitos de verdades absolutas preconizados pela "velha ciência". Dessa forma, é necessário que um novo padrão de consciência comece a ser elaborado a fim de se estabelecer uma nova visão de mundo e do próprio indivíduo.
Quais as implicações de se viver nesse planeta? Será que um dia haverá algum tipo de sensibilização por parte de todos de que o planeta não pode suportar por muito mais tempo essa forma de exploração inconseqüente? Será que a terra vai ter de expulsar o ser humano de sua face para continuar existindo?
NADIR A. CABRAL BERNARDINO é advogada, formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental
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