Bateu o sinal. É hora do recreio. Esse é o período preferido da maioria das crianças na escola. O pequeno prazo - de 30 minutos ou menos - dado pelas escolas estaduais, municipais e particulares de Franca, é o suficiente para que essas crianças façam seus lanchinhos na cantina. O problema é que, na maioria das vezes, a alimentação escolhida pelos pequenos não é a mais adequada.
Salgadinhos, batatas fritas, chocolates, refrigerantes, balas, bolachas, entre outras guloseimas são as preferidas da garotada. “Eu gosto muito de chiclete e bala. Todo dia que eu trago dinheiro e compro”, disse Túlio Damacelo Lopes, 8. Iguais a Túlio, existem vários. Guilherme Borges Faturi, 9, que está na 4º série, é outro exemplo. Guilherme tem o hábito de tomar suco de uva todos os dias, mas não deixa o salgadinho de lado. “Eu sei que não é bom para minha saúde, mas eu acho muito gostoso e acabo não resistindo”.
Mas qual o problema em saborear um superhambúrguer ou um delicioso bombom na hora de lanchar? Vários. A nutricionista Cínthia Parisi afirma que o mau hábito alimentar da criança é extremamente prejudicial, pois reflete diretamente no crescimento e desenvolvimento delas.
“A criança mal alimentada tem dificuldade de aprendizado, irritação e falta de atenção. Os pais devem ficar atentos ao que as crianças andam comendo na escola e em casa. O hábito de uma alimentação saudável deve vir dos próprios pais”, disse.
O Programa Educativo Interdisciplinar, criado em 2005 pela Secretaria Estadual de Educação, foi idealizado justamente para corrigir este problema. A campanha surgiu com o objetivo de educar a alimentação das crianças, incentivando-as a se alimentarem melhor e com produtos saudáveis. Só que, na prática, esse programa praticamente não existe em Franca.
A maioria das escolas da rede estadual da cidade não conseguiu modificar os cardápios das cantinas em função da falta de adaptação dos estudantes. “Já tentamos mudar várias vezes os cardápios, mas as crianças não gostam de comer nada natural. Ao invés de suco, elas só tomam refrigerantes”, disse a vice-diretora da Escola Estadual “Barão da Franca”, Suely Alves Garcia.
Para melhorar o que é servido nas cantinas escolares, é preciso conscientizar os pais para uma educação alimentar qualificada. “Uma sugestão é debater o assunto no conselho de pais ou criar uma consciência de consumo, estipulando apenas um dia em que as guloseimas sejam permitidas”, disse Suely.
A Escola Pestalozzi incentiva o consumo de produtos naturais toda semana. “Às quartas-feiras, as crianças trazem frutas de casa ou compram na cantina. Usamos esse dia para incentivá-las a não comerem alimentos fritos e com muita gordura”, disse Carmelita Victor Spreen, diretora da escola.
TUDO NATURAL
Quando o assunto é alimentação saudável, a escola Toulouse Lautrec leva o assunto a sério. Com uma cantina nova destinada apenas a produtos naturais, chamada Vitto Billico (que significa “alimento equilibrado”, em italiano), a diretora pretende conscientizar as crianças dos benefícios promovidos por uma alimentação correta.
“Comandada pela nutricionista Ana Lúcia Minervino do Couto, a cantina tem o intuito de ensinar os pequenos a comer melhor. Na escola é proibida a entrada de todos os tipos de guloseima, doces e alimentos calóricos e com alto teor de gordura”, afirma a diretora Marta Maria Campos de Figueiredo.
Entre os pratos servidos no local, estão o quibe de abóbora, pão com rúcula e alface e sucos naturais. Todos os salgados são assados - quando a fritura é imprescindível, é feita com azeite.
“Está sendo uma experiência muito interessante, porque achei que as crianças não iriam se adaptar, mas me enganei. A maioria está adorando”, completa a diretora.
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