O bater de asas de uma borboleta que provoca um tufão do outro lado do mundo. Para quem acredita na teoria do caos - segundo o cientista Edward Lorenz, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas -, o caso de Marcela de Jesus Galante Ferreira é um prato cheio. Um problema na divisão celular que durou milésimos de segundos impediu que o cérebro de um bebê fosse formado, mudou a vida de uma família simples na zona rural de Patrocínio Paulista, se tornou um desafio para a ciência (já que o bebê superou todos os prognósticos e sobrevive há quatro meses) e agora vira um ícone contra o aborto em um evento que deve reunir mais de 15 mil pessoas em plena Praça da Sé, no centrão de São Paulo, sábado de manhã.
A pequena Marcela de Jesus Galante Ferreira, bebê que nasceu sem cérebro na Santa Casa de Patrocínio, será citada como exemplo durante o Movimento Nacional em Defesa da Vida programado para amanhã, a partir das 10h30. O ato é organizado por líderes religiosos (católicos, evangélicos e espíritas) em protesto ao projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados, e trata da legalidade do aborto até a 12ª semana sem que a mulher precise justificar o motivo e até a 20ª semana em caso de estupro.
Além das 15 mil pessoas, o evento deve contar com personalidades de peso. O Padre Marcelo Rossi, o ex-arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, o jurista Ives Gandra Martins, representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), entre muitos outros já marcaram presença.
"O nosso objetivo é lutar contra a lei que legaliza o aborto. Por isso, durante o evento a Marcela será lembrada. A mãe dela tinha todos os motivos para interromper a gravidez e não fez", disse Deise Martins, assessora de imprensa do evento.
Para a mãe de Marcela, Cacilda Galante Ferreira, que há quatro meses "mora" na Santa Casa de Patrocínio Paulista ao lado da filha, o sábado não será diferente. "Fico feliz em saber que minha filha se tornou um exemplo. Agora é ter fé em Deus".
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