O bebê anencefálico Marcela de Jesus Galante Ferreira, nascida em 20 de novembro na Santa Casa de Misericórdia de Patrocínio Paulista, foi submetida a uma transfusão para repor as hemáceas vermelhas do sangue. A médica pediatra Márcia Barcellos, que a acompanha desde o nascimento, disse que depois de um exame foi constatado que o bebê estava com anemia. Daí, a necessidade da transfusão de sangue.
Uma das causas apontadas pela médica é a baixa alimentação. O bebê recebe 50 ml de leite via sonda a cada três horas, sendo que o normal para a idade dela (quatro meses) é de 250 ml.
Nesta semana, Marcela começou a receber ferro, também via sonda, para se fortalecer. Mesmo assim, ela ficou anêmica. "Mas não foi nada grave. Ela está bem e agora iniciamos o tratamento contra a gripe".
Por conta do resfriado, contraído no início da semana, a criança será tratada com antibiótico por sete dias. Além de curar a gripe, o medicamento vai prevenir uma possível pneumonia. "A Marcela estava com o pulmão cheio de secreção e isso poderia complicar o caso", afirmou a médica.
Pela segunda vez, o bebê ficou gripado neste ano. Na primeira vez, no fim de fevereiro, ela foi tratada com antibióticos por cinco dias. Como aconteceu na primeira vez, a médica se cercou de todos os cuidados devido à fragilidade da criança, que desde que nasceu só deixou a Santa Casa de Patrocínio Paulista por duas vezes para fazer exames em Franca.
INTERESSE
Marcela, que chega hoje aos 123 dias de vida, despertou interesse do ginecologista e obstetra Thomaz Gollop, docente de genética médica da USP (Universidade de São Paulo) e médico no hospital Albert Einsten, na capital paulista. "Estou acompanhando o caso da Marcela. É admirável que, morando em um hospital e com a cabeça exposta, ela não tenha pego nenhuma infecção até hoje. Não tenho conhecimento na literatura médica de outras crianças que tenham sobrevivido tanto tempo", disse o médico, que completou: "Evidentemente que não podemos confundir a sobrevida dela com a gravidade da situação, ou seja, ela não reage como um bebê normal de quatro meses e continuará assim". O especialista não quis fazer previsões de quanto tempo o bebê ainda viverá.
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