O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) mudou o discurso: antes dizia que dificilmente abriria mão dos recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) em favor do governo estadual, para que este ajude financeiramente a Santa Casa. Agora, já admite sair da briga e deixar a decisão a cargo da diretoria do hospital, desde que as responsabilidades da Secretaria de Saúde estejam claras. A instituição tem déficit mensal de R$ 852 mil e o total das verbas repassadas anualmente pelo SUS é de R$ 30 milhões.
Na segunda-feira, durante ato público, Rocha disse que não será empecilho para o andamento das negociações e que o futuro da Santa Casa está a cargo de sua própria coordenadoria. “Não vou impedir que o Estado assuma a gestão do hospital. A decisão será deles. Não vou me opor”.
Segundo Rocha, a única exigência que fará é que todos os pontos sejam bem discutidos, com as responsabilidades de cada parte envolvida - Estado, município e Santa Casa - esmiuçadas. “Quero tudo documentado, bem detalhado. Como vai ser, quanto vai custar, de que forma serão feitos os atendimentos”, disse.
Questionado sobre as razões de tanta preocupação, já que com o Estado assumindo o comando operacional da Santa Casa deverá assumir os eventuais problemas, o tucano disse que a administração municipal sempre terá de responder pelo que não funcionar direito. “Ninguém vai lá em São Paulo reclamar com o governador José Serra. O prefeito aqui é quem será cobrado”, disse. “Mas minha maior preocupação é saber se o povo será bem atendido”.
ORÇAMENTO
Outro problema que não estaria mais emperrando a cessão das verbas SUS da Prefeitura para o Estado seria a questão orçamentária. A retirada dos mais de R$ 30 milhões (em torno de 9% do orçamento) elevariam o índice gasto com o funcionalismo para um limite próximo ao teto permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (53%).
Sidnei afirmou, desde o início das negociações, que o fato poderia acarretar problemas com o Tribunal de Contas. Agora, admite que daria para adequar o Orçamento sem o dinheiro do SUS. “Fizemos alguns estudos e a folha chegaria perto dos 48%. Daria para controlar”, disse.
SATISFEITO
O superintendente da Santa Casa, Fernando Bueno, gostou na nova postura do tucano. Disse que não há outras opções para que o hospital continue atendendo, sem cortes, à população. Na segunda-feira, Bueno e o presidente da fundação, José Cândido Chimionato, reuniram-se com Rocha. “Foi um encontro cordial.
Sidnei concordou que não tem outra forma de resolver a situação financeira, mas disse que só dará seu sim após conhecer, por escrito, a proposta do Estado”.
Bueno não acredita que a gestão do Estado prejudicará, de alguma forma, a população. “Ninguém quer isso, nem a própria Santa Casa, nem o Estado. O que buscamos é uma saída para que a entidade continue de portas abertas”.
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